Réplica às postagens de Mario Giacomelli no blog de Marcelo Leite “Ciência em Dia” (http://cienciaemdia.folha.blog.uol.com.br/) sobre a matéria “Criacionismo no Mackenzie”, de 30/11/2008 (http://cienciaemdia.folha.blog.uol.com.br/arch2008-11-30_2008-12-06.html#2008_11-30_17_19_32-129493890-25).

Antes de mais nada, saúdo a comunidade de leitores do blog do Marcelo Leite neste início de 2009. Acompanhei a discussão sobre o ensino do criacionismo no colégio Mackenzie durante os dois últimos meses de 2008, e achei extremamente interessante que Marcelo tenha dado espaço a tantas manifestações, pró, contra e neutras. Em particular, gostaria de discutir os pontos levantados por Mario Giacomelli, uma vez que ele apresentou argumentos extensos de que a teoria da evolução é falha. Refiro-me às postagens de Mario Giacomelli (MG) mencionando data e hora. Exemplo: MG(041208-14:17) se refere à postagem de 4/12/2008 às 14:17.

[mário giacomelli] [São Carlos – SP]

Este embate entre os que crêem na Teoria da Evolução e os que crêem na Criação Divina me lembram em muito recente debate acalorado entre o Acadêmico Richard Dawkins, autor do livro “Deus – Uma Ilusão” e o Ph.D. norte-americano Michael J. Behe, Bioquímico-Docente da Universidade Lehigh da Pensilvânia (www.lehigh.edu) autor do Livro “Darwin’s Black Box” (A caixa-preta de Darwin), onde critica os métodos não-científicos utilizados por seus colegas acadêmicos e depois abraçam a Evolução Química e Biológica, enquanto dogma a ser doutrinado nas escolas, ao passo que o cientísta em questão defende o Design Inteligente como explicação plausível para a vida como a conhecemos hoje. Dawkins asseverou: “A teoria de Darwin goza agora do apoio de toda evidência relevante disponível…”/”… são aceitas por qualquer biológo sério.” Porém existem muitos “biólogos sérios” (inclusive eu) que não engolem explicações da Era Iluminista, mas que carecem de comprovação científica. (Continuação acima)…

04/12/2008 14:17

MG(041208-14:17) – No que se refere às “explicações da Era Iluminista, mas que carecem de comprovação científica”, se tais explicações fossem carentes de comprovação científica, não seriam aceitas e amplamente adotadas pela comunidade científica. Em que ponto ou pontos a teoria da evolução carece de comprovação científica? A teoria da evolução foi testada e re-testada talvez centenas de vezes ao longo de seus 150 anos. Se houvesse carência de comprovação científica, já teria sido abandonada, pois a metodologia científica é imperdoável e implacável. Apenas para citar 2 exemplos de como as teorias científicas se renovam:

a) as teorias que explicam os movimentos dos corpos nasceram com Aristóteles, que justificou o movimento dos corpos em termos de força e resistência. Galileu jogou por terra a explicação de Aristóteles quando desenvolveu o conceito de aceleração dos corpos, como sendo o único efeito que faz com que o movimento dos corpos varie, além da mudança de direção. Todavia, as noções de Aristóteles e Galileu constituem apenas parte das leis de Newton que explicam o movimento dos corpos (1ª Lei: lei da inércia; 2ª Lei: F = m.a, onde F = força, m = massa de um corpo, a = aceleração do corpo em movimento; 3ª Lei: Lei da ação e reação; Lei gravitacional: F1,2=G.m1.m2/r²1,2). Por fim, Einstein demonstrou que Newton estava apenas parcialmente correto, pois não considerou o movimento dos corpos quando observados por um observador em movimento (mecânica relativística). Meus colegas físicos que me desculpem a simplificação extrema. A mecânica relativística consegue incluir a descrição da mecânica de Aristóteles, Galileu, Newton e ir além, muito além, porém ainda não consegue explicar fenômenos extremamente particulares;

b) as teorias que explicam a estrutura da matéria também se originaram na Grécia antiga, com o conceito de “átomo” descrito pela primeira vez por Demócrito (aprox. 460 a.C.). Contudo, não se pode desprezar contribuições significativas por parte de inúmeros outros filósofos gregos, como Leucipo, Epicuro e Lucrécio, além de, por exemplo, Platão, Sócrates, Aristóteles e outros. Embora estudos alquímicos árabes e europeus tenham fornecido um volume considerável de conhecimento sobre o comportamento da matéria, muito pouco conhecimento se obteve sobre a estrutura da matéria. Após a idade média, a estrutura da matéria foi escrutinizada por alguns dos mais importantes cientistas da história ocidental: dentre outros, Giordano Bruno, Francis Bacon, Galileu, Descartes, Blaise Pascal, Robert Boyle, Spinoza, John Locke, Newton, Leibniz, Diderot e Kant, ao longo de quase 300 anos de história. Mas sem dúvida, e como seria de se esperar, as maiores contribuições seriam fornecidas por químicos e físicos, como Lavoisier, John Dalton, Avogadro, Gay-Lussac, Berzelius, Cannizaro, Berthelot, Kekulé, Mendeleev, Boltzmann, Le Bel, Van’t Hoff, Thomson, Planck, Rutherford, Bohr, Schrondinger, de Broglie e Heisenberg. Cerca de 250 anos adicionais de história, ao longo dos quais a realização de experimentos, o acúmulo de evidências e a formulação de modelos que explicam o comportamento da matéria permitiu que se chegasse a um consenso muito bem aceito, porém não definitivo, sobre a estrutura da matéria.

O que nos ensinam estes dois exemplos? Que o conhecimento é cumulativo e expansivo, e consegue explicar o inexplicável de momentos históricos passados.

A história da teoria da evolução não é diferente. De maneira bastante simplista, nasceu com Aristóteles e amadureceu com John Ray, Lineu, Buffon, Lamarck chegando à sua formulação geral mais aceita por Darwin e Wallace, porém tendo sido bastante aperfeiçoada durante os últimos 150 anos, principalmente depois da descoberta da genética, ecologia, simbiose, e outros fatores. Assim, volto a perguntar: em que ponto ou pontos a teoria da evolução por meio da seleção natural carece de comprovação científica?

[mário giacomelli] [São Carlos – SP]

…(Continuação): Notando isso, um observador escreveu na Revista “New Scientist” : “Será que Richard Dawkins tem tão pouca fé na evidência [do que crê] que precisa recorrer a indiscriminadas generalizações a fim de rejeitar os oponentes de suas crenças?” (não citou referência completa) Quando destacados educadores e cientistas asseveram que a evolução é factual, e dão a entender que apenas os “leigos iletrados” se recusam a crer nela, quantos são os não-iniciados que se opõe a contradizê-los? David Pilbeam, num prefácio do livro “Missing Links” (Elos que Faltam), de John Reader, mostra-nos que nem sempre os cientistas baseiam suas conclusões nos fatos. Um motivo disso, afirma Pilbeam, é que os cientistas “também são gente, e porque há muita coisa em jogo, pois há os reluzentes prêmios em forma de fama, notoriedade e publicidade”. Assim, devido a se terem comprometido com a evolução, e desejarem promover suas carreiras, alguns cientistas não admitem sequer a POSSIBILIDADE DE ERRO naquilo em que crêem.(Continuação…)

04/12/2008 14:22

MG(041208-14:22) – Embora não conheça Richard Dawkins pessoalmente, considero que não tenha “fé na evidência [do que crê] que precisa recorrer a indiscriminadas generalizações a fim de rejeitar os oponentes de suas crenças.” Quais são estas supostas indiscriminadas generalizações? Infelizmente, apesar da fonte ser mencionada (a revista “New Scientist”), não é completamente citada (ano, volume e página) para que se possa conhecer o contexto de tal afirmação a que Mario Giacomelli se refere a um “observador”. Seria interessante que mencionasse as fontes de tais assertivas por completo.

Infelizmente não encontrei o livro “Missing Links”, por John Reader (London: Penguin Books. 1988). Procurei por possíveis avaliações do livro, e encontrei apenas uma, escrita pela professora Roberta L. Hall (do departamento de antropologia da Oregon State University, EUA) publicada no American Journal of Physical Anthropology (vol. 82, pags 530-531, de 2005), infelizmente não disponível nas bibliotecas da USP. Também procurei por John Reader no web of science. Foram encontrados autores com o nome “John Reader” pesquisadores de ótica (física), imunologia (ciências da vida e biomedicina), leucemia (idem), bioquímica de RNA transportador (bioquímica), doenças pulmonares em recém-nascidos (medicina), história e química. Descartei a possibilidade de qualquer destes serem autores de “Missing Links”.

David Pilbeam é pesquisador do Peabody Museum da Universidade de Harvard. Possui diversos artigos publicados na Nature, Science, Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of America e mais de 2600 citações de seus artigos científicos (um dado importante). Novamente, seria extremamente importante conhecer o texto de D. Pilbeam na íntegra de forma a contextualizar a assertiva citada por Mario Giacomelli. O interessante é que o livro “Missing Links” de John Reader é recomendado no site da Public Broadcasting Services (PBS), uma das produtoras da série “Evolução” lançada em 2008 no Brasil pela Scientific American. Duvido que este livro ou que o texto de Pilbeam se refiram à teoria da evolução como “carecendo de comprovação científica”. Tomei a liberdade de escrever ao professor David Pilbeam, solicitando uma cópia de seu prefácio escrito para o livro “Missing Links”. Reproduzo aqui sua resposta (a dele):

I’m afraid I no longer have any version of that original text. I suggest you write directly to John Reader to see if he can help. (Missing Links is a terrific book, documenting twists and turns and the mistakes, as well as the “triumphs” of interpretation; no doubt “creationists” will latch on to any disagreements, not understanding that science, unlike religion, not only tolerates but thrives on seeking out and correcting its “errors”! Good luck, DP.”

 Nota adicionada em 11/09/2008: O Dr. David Pilbeam gentilmente me forneceu o endereço eletrônico de John Reader, para quem solicitei cópia do “Foreword” (Prefácio) escrito por David Pilbeam para o livro “Missing Links”. Apesar de um pouco longo (mas não demais), reproduzo aqui o trecho a que se refere Mario Giacomelli para que os leitores possam compreender o contexto da afirmativa a que se refere.

There are some surprises for the reader in the book. A new hero, or rather, perhaps, a forgotten one, emerges: Robert Broom, who did more than any man to establish the australopithecines as hominids and therefore as creatures central to our understanding of human evolution. I think there are some surprises for the author too. He has stumbled [Ele escorregou, ou pisou em falso] on the fact that scientists (at least paleoanthropologists) don’t behave as scientists are supposed to behave: as fact-grinding, theory-generating, objective automata. ‘Science’ is often subjective and untidy. Nowhere is the dependence of fact on theory, or the existence of preconceptions, or the importance of emotional commitment, more clearly demonstrated than the case of Piltdown; or in the controversy over the KBS tuff [sítio paleo-geológico da África; ver purple.niagara.edu/wje/Bio121/Leaky%201974%20rudolph.pdf]; or in the debate over Australopithecus afarensis. They are ‘sloppy’, ‘untidy’, ‘personal’, yes. But that is because they involve scientists who are also people, and because much is at stake, for there are glittering prizes in the form of fame and publicity. And there is more general pressure too for answers to cosmic questions, a hunger that sometimes makes paleoanthropologists priests of a new kind of secular theology. Interessante é notar a ironia de D. Pilbeam quando se refere àqueles paleoantropólogos que buscam “respostas cósmicas” como sendo sacerdotes de um novo tipo de teologia secular. Continuando: “Yet we should not despair. Progress has been made. Out of the KBS tuff-dating debate came general advances in methodology and approach, and a much deeper understanding of the chronology of that time-period. Although the human evolutionary story remains ambiguous, we now have many more datafossils and contextual informationthan we did even ten years ago. There is a new realism enabling us to narrow our quest to answerable problems, and to devise ingenious new ways of re-opening apparently unanswerable questions. Despite our obsession with methodology, our science is becoming more mature. As far as explanations can go, it is beginning to look as though the old story of human evolution, one dominated by a brain expanding in the response to elaboration of culture and tools, tells only a fraction of the story. Upright stance came long before brain enlargement, probably in response to changes in mainly vegetable foods that were being eaten. Food and how it is obtained and eaten are now considered of prime importance in the evolution of other kinds of animals, and these seem now increasingly important in telling the story of human evolution This realigns us with ‘nature’, by involving the same determining factors in both human and non-human evolution.”

Do onde Mario Giacomelli tirou a conclusão de que “Assim, devido a se terem comprometido com a evolução, e desejarem promover suas carreiras, alguns cientistas não admitem sequer a POSSIBILIDADE DE ERRO naquilo em que crêem.”? Não foi do texto de D. Pilbeam. Segundo John Reader me comunicou, uma nova edição, atualizada, de ‘Missing Links’ está no prelo.

[mário giacomelli] [São Carlos – SP]

…(continuação): Essa atitude anticientífica foi observada e deplorada por W.R. Thompson, em seu prefácio da Edição Centenária de “Origin of Species”, de Charles Darwin. Disse ele : “Os fatos e as interpretações em que Darwin confiava deixaram atualmente de convencer. As pesquisas há muito continuadas sobre a hereditariedade e a variação minoraram a posição Darwiniana”. E acrescentou : “Um efeito persistente e lamentável do êxito de “Origins” foi o vício cultivado pelos biólogos da especulação não comprovável. O êxito do Darwinismo foi acompanhado pelo declínio em integridade científica.” E concluiu : “Esta situação, em que homens da Ciência se apressam a defender uma doutrina que não conseguem definir cientificamente, e muito menos demonstrar com rigor científico, tentando manter sua credibilidade perante o público PELA SUPRESSÃO DA CRÍTICA e a ELIMINAÇÃO DAS DIFICULDADES, é anormal e indesejável na Ciência.” E gostaria de perguntar algo que até hoje não me explicaram(continuação)…

04/12/2008 14:28

MG (041208-14:28) – Novamente, seria extremamente importante ler o texto de W. R. Thompson na íntegra, prefácio da edição centenária d’A Origem das Espécies de Darwin, para que possa ser compreendido em seu contexto. W. R. Thompson foi diretor do Imperial Bureau of Entomology (Londres) e do Commonwealth Institute of Biological Control (Ottawa, Canada), e foi um dos pesquisadores notáveis de controles biológicos de pestes agrícolas da primeira metade do século XX. Encontrei 24 sites no Google que são contra a evolução biológica e que utilizam do texto de W. R. Thompson para “justificar as falácias” da teoria da evolução.

[mário giacomelli] [São Carlos – SP]

…(continuação), pergunta essa que fiz ao meu professor ainda à época da minha primeira graduação em Biológicas, na década de 90, e, como muitos, quando indagados a respeito do motivo e das provas do PORQUÊ crêem, esboçou um sorriso amarelo e me disse que iria trazer a resposta na próxima aula. Minha pergunta: Como poderia ter ocorrido a Evolução Química nos oceanos primitivos, já que as propriedades bio-químicas da água são despolimerizantes? Trocando em miúdos, apregoa-se que as moléculas foram se aglutinando, ao longo de milhões de anos nos oceanos, para por fim vir à tona a primeira célula auto-reparadora(!) e auto-reprodutora(!) que se tem notícia, o que redundaria na origem da vida como a conhecemos. Mas como isso seria possível no pior meio existente para isso, já que a água tem propriedades solventes, e não aglutinantes, o que impediria qualquer junção molecular? Gostaria que algum colega Biólogo (ou mesmo Químico) me respondesse a essa dúvida. Abraços conflitantes, Marcelo!

04/12/2008 14:43

MG (041208-14:43). Interessante o termo utilizado por Mario Giacomelli, “Evolução Química”. A origem da vida, per se, não constitui objeto de estudo da teoria da evolução. A teoria da evolução explica a diversidade biológica do planeta Terra. Todavia, considerando-se a pergunta de Mario Giacomelli a seu professor, cabe assinalar que a água (H2O) não apresenta qualquer propriedade despolimerizante. Se apresentasse, não existiria a VIDA como nós a conhecemos, já que esta existe se, e somente se, as moléculas biológicas estiverem na presença de água. Muita água. É por isso que o corpo humano é constituído de 70% de água. Água não despolimeriza nada. Absolutamente nada. Para se “despolimerizar” proteínas, por exemplo, é necessária a presença de ácido clorídrico extremamente concentrado (6 moles/litro) a uma temperatura de 100-110oC, durante 12 horas! Para se “despolimerizar” polissacarídeos ou ácidos nucléicos não é diferente: são necessárias condições extremamente drásticas, pois são moléculas extremamente estáveis.

Na verdade, a pergunta de Mario foi mal formulada. Talvez fosse melhor formulada da seguinte maneira: “Como poderiam ter surgido moléculas biológicas complexas, biopolímeros (como polipeptídeos, proteínas, polissacarídeos, DNA e RNA) nos oceanos primitivos, uma vez que estas moléculas (biopolímeros) são formadas através de reações de condensação de seus constituintes básicos com a concomitante eliminação de água?” Ou seja, tais reações são reações do tipo : A + B = C + H2O, onde o símbolo “=” é aqui utilizado para indicar uma seta da esquerda para a direita e outra seta da direita para a esquerda. Sendo assim, são comumente denominadas “reações de equilíbrio”. Para que a reação de formação de C seja favorecida, é necessário que haja um deslocamento do equilíbrio da esquerda para a direita. Uma das maneiras de se fazer isso é retirando-se H2O do meio reacional. Desta forma, pelo princípio de ação das massas (Lei de Le-Chatelier), haverá a formação do produto C e o consumo dos reagentes A e B. Todavia, isso é difícil de acontecer se a reação for realizada em meio aquoso (como é o caso dos oceanos) pois, havendo um excesso de água, o equilíbrio da reação tende a se deslocar para a esquerda. Ou seja, não há consumo de A e B nestas condições, nem a formação de C. Todavia, este é um problema facilmente contornável. Se o pH do meio for ácido (pH menor do que 7,0), esta reação será catalisada e ocorrerá a formação do produto C. Se o produto C for muito mais estável termodinamicamente do que A e B, a formação de C será favorecida e a reação reversa fortemente desfavorecida. Simples. Tal é o caso da formação de peptídeos e proteínas, ácidos nucléicos e polissacarídeos, até mesmo em meio aquoso (celular). Outra forma de tal reação se processar de maneira bastante eficiente é na presença de areia (silicatos), ou argila (óxidos de alumínio e outros metais), ou rochas (com diferentes sais de elementos metálicos). Moléculas simples (açúcares, aminoácidos, bases nucléicas) dissolvidas em água reagem facilmente formando biopolímeros quando a água é lentamente evaporada pela ação de calor (sol e/ou atividade vulcânica). Vários experimentos desta natureza foram realizados e deram origem a biopolímeros de menor ou maior complexidade, dependendo do tempo em que foram deixados a reagir (semanas a meses).

Quanto às células auto-reparadoras e auto-reprodutoras, estas são assunto fascinante do livro “The Emergence of Life”, escrito por Pier Luigi Luisi (Cambridge University Press, 2006), muito interessante mesmo. É um assunto extenso e complexo. Também já foram realizados inúmeros experimentos de biofísica que demonstram a capacidade auto-organizadora de micelas, auto-reprodutora de pequenos fragmentos de RNA, bem como de propriedades emergentes de sistemas complexos. Também o livro de Geoffrey Zubay, “The Origins of Life on the Earth and in the Cosmos” (Academic Press, San Diego, 2ª edição, 2000), em particular a parte III deste livro “Biochemical and Prebiotic Pathways: a Comparison” (páginas 168 a 399), constitui uma excelente fonte deste tema tão complexo e extenso. Não menos informativos são os livros “The Origins of Life” por John Maynard Smith e Eors Szathmáry (Oxford University Press, 2000) e “Chemical Evolution” por Stephen F. Mason (Clarendon Press, 1991). Do primeiro, os capítulos 4 (From the RNA world to the modern world), 5 (From heredity to simple cells) e 6 (The origin of eukaryotic cells), e do segundo os capítulos 11 (The energetics of living systems), 12 (Organic replication and genealogy), 13 (prebiotic chemistry) e 14 (biomolecular handedness). Para textos muito mais simples, porém não menos informativos, são indicados os capítulos 1 (Origem da vida: um tempo curto para uma experiência bem sucedida) e 2 (O mundo de RNA e a origem da complexidade da vida) escritos por pesquisadores brasileiros no livro “Biologia Molecular e Evolução”, editado por Sergio Russo Matioli (Holos Editora Ltda, 2001).

Outro erro conceitual é dizer que “a água tem propridades solventes, e não aglutinantes, o que impediria qualquer junção molecular”. Isso não é verdade. Um exemplo clássico de moléculas que se aglutinam na água são moléculas que formam os sabões ou detergentes, chamadas de moléculas anfifílicas (surfactantes). Por possuírem uma extremidade carregada (positiva ou negativamente) e outra extremidade constituída por uma cadeia de átomos de carbonos e hidrogênios (lipofílica, ou apolar, tais moléculas formam agregados de natureza esférica, chegando a “expulsar” a água de seu interior. Experimentos de síntese de peptídios no interior de micelas foram realizados com sucesso (Luisi, op. cit., página 192).

[mário giacomelli] [São Carlos – SP]

Em relação à documentação fóssil evolutiva, o paleontólogo Niles Eldredge, evolucionista e curador do Museu Americano de História Natural, Nova York (Google It !), colega de S. J. Gould, reconheceu: “A dúvida que se infiltrou na anterior certeza presunçosa e confiante da biologia evolucionista, nos últimos vinte anos, tem atiçado paixões.” Mencionou a “falta de total acordo, mesmo no âmbito dos campos opostos” (National History Magazine, sob o artigo “Faxina Doméstica Evolucionária”). Niles Eldredge também admitiu: “Não existe o padrão que nos mandaram procurar nos últimos 120 anos.” O ex-redator do jornal The Times e atual do Telegraph, Christopher Booker (que aceita a evolução), afirmou: “Decorrido um século desde a morte de Darwin, ainda não temos a menor idéia demonstrável, ou mesmo plausível, de como a evolução realmente ocorreu.” Concluiu: “Não temos a menor idéia de como e por que ela realmente ocorreu, e provavelmente jamais teremos.” Abraços não-demonstráveis ao Marcelo Leite.

05/12/2008 15:47

MG (051208-15:47) – Novamente, seria realmente importante conhecer o conteúdo completo do artigo escrito por Niles Eldredge, um dos proponentes da proposta do equilíbrio pontuado juntamente com Stephen Jay Gould, e não somente utilizar frases soltas e descontextualizadas. O artigo completo escrito se refere a uma resenha do livro “The New Evolutionary Timetable” por S. M. Stanley, e foi publicado na National History Magazine (volume 91(2), páginas 78-81).

No que se refere ao texto de Christopher Booker, não foi possível encontrá-lo no Google (mesmo depois de quase 2 horas de busca). Todavia, foram encontrados inúmeros sites contendo as mesmas menções aos textos de Niles Eldredge e Christopher Booker, idênticas às que Mario Giacomelli apresenta. Basta por exemplo, realizar buscas com os termos “Christopher Booker The Times Darwin” ou “Niles Eldredge housekeeping”. É melhor conhecer as fontes originais para se poder ler de maneira crítica.

[mário giacomelli] [São Carlos – SP]

Citando as desavenças entre acadêmicos: depois de criticar alguns argumentos de Richard Dawkins, o INFLUENTE EVOLUCIONISTA Richard Lewontin escreveu que muitos cientistas estão dispostos a aceitar argumentos que vão contra o bom-senso “porque já assumimos outro compromisso, um compromisso com o materialismo”. Muitos cientistas até mesmo recusam-se a considerar a possibilidade de um Projetista inteligente porque, conforme escreve Lewontin, “não podemos permitir que a ciência abra a porta à idéia de um Deus”. O sociólogo Rodney Stark é citado na revista Scientific American como tendo dito: “Há 200 anos tem sido propagada a idéia de que se você quer ser um cientista então tem de manter a mente livre dos grilhões da religião.” Nas universidades de pesquisa “os religiosos ficam de boca fechada” enquanto “os que não têm religião promovem a discriminação”. De acordo com Stark, “existe um sistema de recompensas para os que não são religiosos nos altos escalões [da comunidade científica]”.

05/12/2008 20:47

Resposta de Marcelo Leite:

MARIO:

A eventual perseguição de religiosos em universidades leigas é lamentável, se e quando ocorrer, mas não é argumento contra Darwin. Por outro lado, não é preciso jogar Richard Lewontin contra Richard Dawkins, pois eles se engalfinham (assim como Stephen Jay Gould ao lado de RL e Edward O. Wilson e Stephen Pinker ao lado de RD) desde os anos 1970, isso é públicoe notório e NÃO TEM NADA A VER com tirar força da teoria da evolução por seleção natural – todos são darwinistas de carteirinha. Abraços despertos, Marcelo Leite.

MG(05122008-14:47). Seria interessante que Mario Giacomelli fornecesse as fontes destas assertivas. O texto de Richard Lewotin a que se refere é a resenha sobre o livro de Carl Sagan, “O Mundo Assombrado pelos Demônios” (Companhia das Letras, 1995), e pode ser encontrado no site http://www.nybooks.com/articles/article-preview?article_id=1297. Também é citado em inúmeros sites que defendem o criacionismo. Já Rodney Stark é cristão convicto e autor de, por exemplo, “The Victory of Reason: How Christianity Led to Freedom, Capitalism, and Western Success”. Só pode ser uma piada. Como é que o cristianismo levou à liberdade? Onde? Para uma resposta contundente a esta pergunta, sugiro o filme “As Sombras de Goya”, com Javier Bardem. Certamente o cristianismo foi crucial para o desenvolvimento do capitalismo e do “sucesso ocidental”. Este sucesso que estamos vivenciando atualmente, um modelo capitalista falido e totalmente desumano.

Além disso, no que se refere às assertivas de Mario Giacomelli de que “Nas universidades de pesquisa “os religiosos ficam de boca fechada” enquanto “os que não têm religião promovem a discriminação”. De acordo com Stark, “existe um sistema de recompensas para os que não são religiosos nos altos escalões [da comunidade científica]”. Gostaria de saber em que universidades isso é verdade. Certamente não é nem na USP nem na UNICAMP, nas quais existem inúmeros professores cristãos, espíritas e evangélicos (que eu conheço) e nunca foram discriminados. Muito pelo contrário. Vários são pesquisadores notórios e membros da Academia Brasileira de Ciências.

Como bem comentou Marcelo Leite em resposta à esta postagem, diferenças de opiniões sobre os comos e porquês da teoria da evolução só demonstram que esta é realmente relevante, objeto de muita discussão, pois é muito rica e apresenta inúmeras implicações. A comemoração dos 150 da publicação d’A Origem das Espécies neste ano será um fato contundente que a teoria de Darwin e Wallace está mais forte do que nunca.

[mário giacomelli] [São Carlos – SP]

Não entendo até hoje o uso dos fósseis como base de apoio à Evolução: P.ex.,em 2004, a revista National Geographic descreveu o registro fóssil como “um filme da evolução, no qual 999 de cada mil fotodramas desapareceram”. Até hoje, cientistas do mundo inteiro já desenterraram e catalogaram uns 200 milhões de grandes fósseis e bilhões de microfósseis. Muitos pesquisadores concordam que esse registro vasto e detalhado mostra que todos os principais grupos de animais surgiram de repente e permaneceram praticamente inalterados, com muitas espécies desaparecendo de modo tão repentino quanto surgiram. Depois de analisar as provas fornecidas pelo registro fóssil, Jonathan Wells, Ph.D. em Biologia Celular e Molecular na Universidade da Califórnia, Berkeley, escreveu: “No nível dos reinos, filos e classes, a descendência com modificações a partir de ancestrais comuns obviamente não é um fato observado. À base dos indícios fósseis e moleculares, não é nem mesmo uma teoria bem fundamentada.”…

05/12/2008 21:15

Resposta de Marcelo Leite:

MÁRIO:

É MUITO engraçado você usar o equilíbrio pontuado para tentar negar que o registro fóssil corrobora a teoria da evolução por seleção natural. Seu co-autor com Niles Eldredge, SJ Gould, tem INÚMEROS ensaios publicados, inclusive em português, apresentando exemplos disso. Um que me lembro assim de cabeça é o da evolução das inúmeras espécies de cavalos nas Américas, onde no entanto se extinguiram antes da chegada do homem ao continente. Abraços fossilizados, Marcelo Leite

MG (051208-21:15) – Se como biólogo Mario Giacomelli não consegue compreender que a distribuição dos fósseis segundo as camadas sedimentares ocorreu durante períodos determinados da história geológica da Terra, então sua formação está deficiente. De qualquer maneira, o belo livro “The Discovery of Evolution” por David Young (Cambridge University Press, 1992) pode ser bastante informativo, em particular o capítulo 3 (Matters of Place and Time). Também o livro “Vida Maravilhosa” de Stephen Jay Gould (Companhia das Letras, 1989) relata como a descoberta do sítio paleontológico “Burgess Shale” em British Columbia (Canadá) contribuiu de maneira significativa para a confirmação da teoria da evolução. Mais recentemente, o artigo “The Avalon explosion: Evolution of Ediacara morphospace” pulicado na Science (2008, volume 319, páginas 81-84) fornece indícios ainda mais fortes sobre o crescimento substancial de espécies biológicas em um curto espaço de tempo (geológico), antes da explosão do Cambriano. Todavia, grande parte destas espécies foi eliminada através do processo de seleção natural. Ainda, uma primeira evidência de “saltacionismo” proposto por Gould e Eldredge para explicar o equilíbrio pontuado foi recentemente relatada em artigos publicados na revista Science (Masly, Jones, Noor, Locke, Orr, Science, volume 313, página 1448 de 2006; Phadnis e Orr, Science, publicado on-line 11/12/2008; localizador (DOI): 10.1126/science.1163934)

Infelizmente não tive paciência para procurar a fonte da citação de Jonathan Wells. No web of science encontrei 101 autores “Wells J”, dois dos quais em universidades da Califórnia (San Francisco e Irvine). Provavelmente tal menção deve ter sido retirada do livro “Icons of Evolution – Science or Myth? Why Much of What We Teach About Evolution is Wrong”, escrito pelo próprio Jonathan Wells, (Regnery Publishing, Washington, D.C., 2000). Jonathan Wells é membro “senior” do Centro para a Renovação da Ciência e Cultura (Center for Renewal of Science and Culture), um dos pilares do criacionismo norte-americano. Uma avaliação sobre este livro foi escrita por David W. Ussery, professor associado da Technical University of Denmark (http://www.cbs.dtu.dk/staff/dave/) e pode ser lido em http://www.cbs.dtu.dk/staff/dave/IconsReview.html. Pelo jeito, o livro está cheio de erros conceituais e se baseia em inúmeras falsas premissas. Infelizmente, não dá para ser levado a sério.

[mário giacomelli] [São Carlos – SP]

Sei que muitos crêem que o ID (Design Inteligente) carece de embasamento científico e é indigno de confiança pela comunidade científica, mas notem a opinião do falecido astrônomo britânico “Sir” Fred Hoyle do Instituto de Astronomia de Cambridge, Inglaterra (Vide Google ou Wikipedia), agnóstico, e criador do termo “Big Bang”. Discursando no Instituto de Tecnologia da Califórnia, disse: “Em vez de aceitar a fantasticamente pequena probabilidade de a vida ter surgido por meio das forças cegas da natureza, parecia melhor supor que a origem da vida foi um ato intelectual voluntário.” (continuação acima)…

06/12/2008 11:59

e

[mário giacomelli] [São Carlos – SP]

(continuação)… E Hoyle acrescentou : “O grande problema na biologia não é tanto a pura verdade que a proteína consiste de uma cadeia de aminoácidos interligados de certa maneira, mas que o arranjo explícito dos aminoácidos dá a essa cadeia propriedades notáveis . . . Se os aminoácidos fossem interligados a esmo, haveria um enorme número de arranjos inúteis aos objetivos de uma célula viva. Levando-se em conta que uma enzima típica tem uma cadeia de talvez 200 elos, e que existem 20 possibilidades para cada elo, é fácil ver que o número de possíveis arranjos inúteis é enorme, mais do que o número de átomos em todas as galáxias visíveis através dos maiores telescópios. Isso no caso de uma enzima, e existem mais de 2.000 delas, a maioria servindo a objetivos muito diferentes. Assim, como é que a situação chegou ao ponto que conhecemos?” Acredito que o próprio colunista do blog deva acreditar que o debate é saudável, posto que a Ciência também é lapidada através de escrutínio profundo.

06/12/2008 12:06

Resposta de Marcelo Leite:

MÁRIO:

Sim, o debate sempre a saudável, ainda que por vezes só no longo prazo, e no curto seja insalubre. Faltou você dizer que o Fred Hoyle é também defensor de uma teoria que nega o surgimento espontâneo de vida na Terra e diz que ela veio do espaço (panspermia), mas no meu entender não dá resposta para a indagação seguinte: onde e como ela surgiu, se não de algum processo similar ao que é postulado na Terra? Nunca ouvi falar que ele tenha proposto que a vida veio do espaço mas chegou ao espaço por obra de Deus. Abraços terrospérmicos, Marcelo Leite

MG (061208-11:59 e 12:06). Apesar de Marcelo Leite ter respondido à estas postagens de Mario Giacomelli, aproveito para reclamar da falta da fonte bibliográfica de onde obteve tais informações. Não há problema nenhum em se utilizar de fontes bibliográficas, desde que sejam fornecidas de forma completa para a leitura crítica daqueles que se interessarem pelas mesmas. Novamente, tal assertiva atribuída a Fred Hoyle pode ser encontrada, citada de diferentes formas, em diversos sites religiosos e criacionistas. Por exemplo no site Christianity Today (http://www.arn.org/docs/pearcey/np_ctoday052200.htm).

No que se refere às assertivas de Hoyle, é fato de que as propriedades das proteínas depende da sequência de aminoácidos que esta apresenta. Arranjos específicos, estruturados, funcionais, são determinados pela sequencia dos nucleosídeos do DNA. A razão pela qual se observam determinadas sequencias e não outras? Seleção natural. Dentre os organismos unicelulares (cianobactérias, bactérias, archea, e outros), prevaleceram aqueles que adquiriram melhor capacidade de adaptação, como a realização de fotossíntese (cianobactérias) ou a produção de antibióticos (bactérias). A evolução dos sistemas enzimáticos, essenciais à vida, seguiram respostas à mudanças ambientais, taxas reprodutivas, geração de prole numerosa e saudável, permanência de caracteres fenotípicos que favoreceram a adaptabilidade das espécies biológicas. A pergunta de Mario Giacomelli é: “Assim, como é que a situação chegou ao ponto que conhecemos?” Cerca de 3,5 bilhões de anos. Fósseis de esponjas marinhas, os primeiros organismos pluricelulares, datam de entre 1 bilhão e 500 milhões de anos (para referências acessíveis, ver: http://www.timespub.tc/index.php?id=336; http://www.ucmp.berkeley.edu/porifera/poriferafr.html . São relatados fósseis de cianobactérias com 3,5 bilhões de anos (ver no site do colégio São Francisco, por exemplo: http://www.colegiosaofrancisco.com.br/alfa/algas/cianobacterias.php; ou artigo de José Reis na Folha de São Paulo: http://almanaque.folha.uol.com.br/ci%EAncia_23jul1988.htm ). É bastante tempo. Tempo suficiente para que muitos “ajustes” funcionais ocorressem em enzimas, proteínas estruturais, enzimas mediadoras de informação, dentre outras.

[Mario B. di M. Giacomelli] [São Carlos – SP]

Caro Marcelo Leite : tenho em alta estima sua pessoa e seus livros que li, porém, mesmo sabendo que talvez meus comentários já não sejam publicados, devido fortes protestos, gostaria de trazer à sua atenção argumentos opostos que raramente (se é que alguma vez) são mencionados aos estudantes que se graduam nas Universidades. Um exemplo disso é o depoimento que li certa vez na revista “American Laboratory”, sobre um bioquímico relatando sobre o que seus filhos aprendiam na escola: “Não se apresenta a evolução à criança como uma teoria. Os textos científicos fazem declarações sutis já tão cedo quanto na segunda série (baseado na minha leitura dos compêndios de meus filhos). A evolução é apresentada como realidade, e não como conceito que possa ser questionado. A autoridade do sistema educacional então torna obrigatória a crença.” (continuação acima…).

07/12/2008 08:43

Resposta de Marcelo Leite:

MARIO:

Vou dizer pela enésima vez: não aceito o jogo de palavras com o termo “teoria” e ñão creio que se possa afirmar, com base nele, que a aceitação da teoria da evolução por seleção natural se baseie em uma crença, no mesmo sentido que a aceitação da “teoria” criacionista se baseia numa crença. Uma busca e encontra forte apoio em fatos e observações, a outra, não. Abraços fronteiriços, Marcelo Leite

MG(071208-08:43) De novo, apesar de Marcelo Leite ter respondido a esta postagem de maneira bastante esclarecedora, fico bastante satisfeito que aos filhos do bioquímico mencionado “a evolução é apresentada como realidade, e não como conceito que possa ser questionado.” Seus filhos (os dele) terão uma sólida formação para prosseguirem seus estudos. Duas formas de “teoria” podem ser consideradas: a primeira diz respeito a uma hipótese ou possibilidade (em teoria, poderia-se supor que…), a segunda a um conjunto de dados, observações e constatações que constituem um corpo de conhecimento, tais como a teoria quântica, a teoria da relatividade, a teoria atômica, e a teoria da evolução, claro. A Wikipédia fornece uma definição bastante esclarecedora de teoria: http://pt.wikipedia.org/wiki/Teoria .

[Mário B. di M. Giacomelli] [São Carlos – SP]

… A respeito do ensino evolucionista nos anos mais adiantados, ele disse: “Não se permite que o estudante tenha crenças pessoais ou que as expresse: caso o estudante o faça, ele ou ela fica exposto ao ridículo e à crítica por parte do instrutor. Não raro, o estudante se arrisca a perder créditos acadêmicos, porque os conceitos dele ou dela não são ‘corretos’, e baixa-se a nota.” (continuação acima…)

07/12/2008 08:46

MG(071208-08:46) Se tais fatos ocorrem em sala de aula, são, de fato, lamentáveis e inaceitáveis. Cabe ao professor não penalizar ou ridicularizar o aluno que apresente suas dúvidas e questionamentos sobre quaisquer assuntos, e sim trazer tais argumentos à discussão, de maneira saudável, criativa e positiva.

Mário B. di M. Giacomelli] [São Carlos – SP]

Sobre a origem espontânea, o prof. John D. Bernal lançou luz no livro “The Origin of Life”: “Pela aplicação dos estritos cânones do método científico, é possível demonstrar eficazmente em vários pontos na história que a vida não poderia ter surgido [espontaneamente]; as improbabilidades são grandes demais, as chances da emergência de vida são pequenas demais.”…”Lamentável desse ponto de vista, a vida existe aqui na Terra em toda a sua multiplicidade de formas e atividades, e os argumentos para justificar a sua existência precisam ser distorcidos”. Considere, Marcelo, as implicações de tal raciocínio. É como dizer: ‘Cientificamente é correto dizer que a vida não poderia ter começado por si mesma. Mas o surgimento espontâneo da vida é a única possibilidade que aceitamos. Assim, é preciso distorcer os argumentos para apoiar a hipótese de que a vida surgiu espontaneamente.’ É satisfatória essa lógica? Não exige tal raciocínio muita ‘distorção’ dos resultados? (continuação acima…)

07/12/2008 08:54

MG (071208-08:54 bem como 171208-17:40, 17:44, 17:53, adiante) – Realmente, J. D. Bernal propôs que a vida não poderia ter surgido espontaneamente NA ÁGUA somente, e por isso foi um dos primeiros a propor que teria sido possível na presença de minerais, rochas, argilas e areia, ou ainda tendo sido trazidos com meteoritos (ver, por exemplo: Hermes-Lima, M. Implicações da catálise heterogênea na evolução química e origem da vida. Química Nova, volume 13, páginas 99-103, 1990; Bernal, JD, Significance of carbonaceous meteorites in Theories of Origin of Life, Nature, volume 190, páginas 129-132, 1961; Nagy, Briggs, Meinschein, Hennessy, Urey, Kitto, Haldane, Fitch, Schwarcz, Anders, Bernal, Life-forms in meteorites. Current Science, volume 31, páginas 226-236, 1962; Bernal, J.D. The physical basis of life. Proceedings of the Physical Society of London, section A, volume 62, páginas 537-558, 1949). Uma excelente revisão bibliográfica sobre este tema pode ser encontrada: Mark A. Sephton, Organic compounds in carbonaceous meteorites. Natural Product Reports, 2002, 19, 292 – 311. Em particular, experimentos realizados com moléculas muito simples (água, ácido cianídrico, CO2, metano, formaldeído, amônia, sulfito) em condições pré-bióticas forneceram ácido 2-mercaptoetanossulfônico (vitamina M, que atua como coenzima em bactérias metano-dependentes; Miller e Schlesinger, Journal of Molecular Evolution, volume 36, páginas 302-307, 1993), ácido pantóico, ácido pantotênico e coenzima A (Miller e Schlesinger, Journal of Molecular Evolution, volume 36, páginas 308-314, 1993).

As assertivas ‘Cientificamente é correto dizer que a vida não poderia ter começado por si mesma. Mas o surgimento espontâneo da vida é a única possibilidade que aceitamos. Assim, é preciso distorcer os argumentos para apoiar a hipótese de que a vida surgiu espontaneamente.’ são totalmente distorcidas. Em termos de metodologia científica, não é possível se provar uma assertiva negativa como, por exemplo, “é possível demonstrar eficazmente em vários pontos na história que a vida não poderia ter surgido [espontaneamente]”. Essa é uma premissa sem nenhuma base científica. Também, a assertiva “Deus não existe” é impossível de ser provada. Aliás, cabe mencionar que a prova ou não da existência de Deus não é objeto de investigação da ciência, uma vez que esta se detém sobre fenômenos experimentalmente comprováveis. Também, “a vida não poderia ter começado por si mesma” é impossível de ser provado ou refutado. Logo, são argumentos cientificamente inválidos.

Também não procede um argumento único, em particular sobre a origem da vida, como “o surgimento espontâneo da vida é a única possibilidade que aceitamos”. A ciência trabalha com hipóteses e a verificação experimental das mesmas. A proposta do surgimento espontâneo da vida construído sobre experimentos de química pré-biótica, de biofísica e físico-química tem sido investigado ao longo de mais de 100 anos, e não se obteve uma resposta definitiva para tais hipóteses. Porém, nem por isso é necessário se invocar um ser supremo, sobrenatural, ou um “design inteligente” que justifique o surgimento da vida. Tais argumentos são bastante acomodados, fáceis de serem engolidos, e, pior, não são passíveis de serem experimentalmente demonstrados ou refutados. Portanto, não são cientificamente válidos. Aliás, que se esclareça: a teoria da evolução não estuda a origem da vida, e sim a diversificação da vida no planeta Terra.

[Mário B. di M. Giacomelli] [São Carlos – SP]

…Em relação às probabilidades do acaso, “Personificar o ‘acaso’, como se estivéssemos falando de um agente causativo”, observa o biofísico Donald M. MacKay, “é fazer uma transição ilegítima de um conceito científico para um conceito mitológico quase religioso”. Robert C. Sproul também destacou: “Por chamar há tanto tempo de ‘acaso’ a causa desconhecida, as pessoas começam a esquecer-se de que se fez uma substituição. . . . Para muitos, a suposição de que ‘acaso é igual a causa desconhecida’ veio a significar que ‘acaso é igual a causa’.” O prêmio Nobel Jacques L. Monod, por sua vez, usou esta linha de raciocínio acaso-igual-a-causa: “O mero acaso, absolutamente desimpedido, porém cego, [está] na própria base da estupenda estrutura da evolução”, escreveu. “O homem finalmente sabe que está sozinho na insensível imensidão do Universo, do qual ele surgiu apenas por acaso.” Note que ele diz: “POR acaso.” (continuação acima…)

07/12/2008 08:58

e

[Mario B. di M. Giacomelli] [São Carlos – SP]

Monod faz como muitos outros – eleva o acaso a um princípio criativo. O acaso é apresentado como meio pelo qual a vida veio a existir na Terra. Segundo certos dicionários, “acaso” é ‘o suposto determinante impessoal, sem objetivo, de inumeráveis acontecimentos’. Assim, quem diz que a vida surgiu por acaso está dizendo que ela surgiu por meio de um poder casual desconhecido. Não estariam alguns virtualmente escrevendo “Acaso” com inicial maiúscula – dizendo, na verdade, Criador? Um forte abraço italiano ( já censurado…risos… ) do PhD, porém crente, Mário Modena Giagomelli.

07/12/2008 09:04

RESPOSTA:

MÁRIO:

Nada tenho contra crentes nem ateus. Mas creio (ops) que chamar de Deus a causa desconhecida é ainda pior que chamar de acaso, pois neste última caso (passe a rima pobre) ao menos se propõe a ação de uma mecanismo (seleção natural) que permite avançar na discussão buscando apoio em observações. Abraços heurísticos, Marcelo Leite

MG (071208-08:58 e 09:04)- Embora não seja (novamente) mencionada a fonte da citação de D. M. MacKay, menção similar pode ser encontrada no site da American Scientific Afiliation – Science in Christian Perspective, de direção cristã fundamentalista, em artigo escrito por J. J. Davis “Theological Reflections on Chaos Theory” (http://www.asa3.org/ASA/PSCF/1997/PSCF6-97Davis.html). Na verdade, o texto a que Mario Giacomelli se refere está no livro de Donald M. MacKay, “Science, Chance, and Providence” (Oxford University Press, 1978), citado no artigo de Davis. D. M. MacKay era professor emérito de neurociências na Keele University, Staffordshire, Inglaterra. Interessante mesmo é seu artigo “Mind-body problem, information theory and christian dogma – reply”, publicado em Neuroscience, volume 4, página 454, 1979. Robert C. Sproul é um teólogo calvinista e pastor dos EUA (ver no Wikipédia). Sem comentários. A interpretação de acaso, com menção a Jacques Monod, autor de “Acaso e Necessidade”, é de Mario Giacomelli. Pura e exclusivamente. Deve-se notar que se trata de uma interpretação ímpar. Veja a resposta de Marcelo Leite a esta postagem.

[Mario B. di M. Giacomelli] [São Carlos – SP]

Sobre a questão do porquê cientistas que defendem o Design Inteligente, como o bioquímico Ph.D. Michael J. Behe, não obtêm notoriedade em seu meio, prende-se ao fato de que os próprios órgãos acadêmicos já os desdenham por antecipação. Quando perguntado (2006) se a Ciência já apresentou alguma prova de que a Evolução, por meio da Seleção Natural, dudesse ter dado origem a mecanismos moleculares complexos, Behe respondeu: “Quando alguém pesquisa as publicações científicas, descobre que ninguém fez uma tentativa séria – experimental ou modelo científico detalhado – que explique como estes surgiram pelos processos Darwinianos. Isso se dá APESAR DE MUITAS ORGANIZAÇÕES CIENTÍFICAS, COMO A ACADEMIA NACIONAL DE CIÊNCIAS (EUA) E A ASSOCIAÇÃO AMERICANA PARA O PROGRESSO DA CIÊNCIA, NOS 10 ANOS DESDE QUE MEU LIVRO FOI PUBLICADO, TEREM FEITO APELOS URGENTES A SEUS AFILIADOS PARA QUE FAÇAM O MÁXIMO POSSÍVEL A FIM DE COMBATER A IDÉIA de que a vida fornece provas de planejamento inteligente.

08/12/2008 00:25

MG (081208-00:25) – Esta postagem é complexa devido a suas múltiplas significações. Como diria Jack, o estripador, vamos por partes. “Obter notoriedade em seu meio” não é tão simples assim. Não basta escrever um livro com algumas idéias “interessantes”, eventualmente passíveis de serem consideradas para a elaboração e realização de experimentos que a comprovem. Não basta simplesmente contestar a teoria da evolução. É necessário prover uma alternativa testada e comprovada experimentalmente tão boa quanto, ou ainda melhor, para “explicar o inexplicável”. Bom, quais são os dados experimentais de Behe e Dembski? Após 12 anos da publicação de seu livro, nenhum. A proposta de Behe, baseada no conceito de complexidade irredutível, é tão ruim que ele mesmo abandonou este conceito em seu mais recente livro “The Edge of Evolution: The Search for the Limits of Darwinism” (Free Press, 2007).

Pergunta: o que são mecanismos moleculares complexos? A complexidade bioquímica se reduz, basicamente, a termodinâmica e cinética. Estruturas celulares complexas resultam de interações que diminuem a entropia através de processos que “importam” energia do meio e, portanto, são passíveis de realizar trabalho (para diminuir a entropia, ou grau de desordem de um sistema). Em um sistema definido (seja uma célula, um ser vivo completo ou o universo), a quantidade de energia se mantém constante (primeira lei da termodinâmica). Todavia, esta mesma energia está sendo constantemente redistribuída, de maneira aleatória e com aumento de entropia, que se torna cada vez menos disponível para a realização de trabalho (segunda lei da termodinâmica). Sendo assim, a quantidade de energia é constante, mas a sua disponibilidade para trabalho não. O problema foi resolvido com a disponibilidade da energia solar. Devido à sua posição relativa ao Sol, a Terra (como sistema) situa-se muito longe de um equilíbrio termodinâmico com o espaço inter-estelar. O centro da Terra, muito quente, contribui com uma parcela de energia significativa para a manutenção da vida e evolução dos sistemas biológicos complexos.

Em nível molecular, a realização de trabalho, que resulta em organização e complexidade, provém de reações químicas que envolvem a quebra e formação de ligações entre os átomos. Uma das moléculas-chave fornecedoras de energia dentro das células é o ATP (trifosfato de adenosina). Moléculas e mais moléculas de ATP participam de inúmeros processos organizacionais, como síntese de proteínas, processos de transporte, assimilação e excreção etc. O uso da energia do ATP compensa, de longe, o possível aumento do grau de desordem celular por um possível “consumo irracional” de energia. Como as moléculas de ATP são formadas pela quebra de glicose, que por sua vez são formadas através da fotossíntese, o problema do consumo da energia para a realização de trabalho e a conseqüente diminuição do grau de desordem está resolvido. Mecanismos (moleculares ou outros) complexos emergem justamente a partir da diminuição da entropia (ou diminuição do grau de desordem) dos sistemas biológicos, graças ao Sol.

Um exemplo interessante de sistema complexo são os furacões. Estes apresentam uma estrutura extremamente organizada e complexa, que resulta da interação de vários fatores, como calor, forças de Coriolis, alta umidade e força gravitacional. Não é necessário um design inteligente para formar um furacão. Aliás, se o fosse, não seria muito inteligente, em vista de tanta destruição que promove. Furacões são estruturas dinâmicas complexas precisamente por que consomem uma grande quantidade de energia para surgir, de maneira coordenada, com movimento coerente de uma enorme quantidade de matéria. Furacões realizam uma quantidade de trabalho gigantesca, arrastando casas, carros, e tudo o mais por onde passam, quantidade de trabalho esta que pode chegar a 1013 watts de potência.

Porém, a pergunta de Mario Giacomelli (e de Michael Behe) é mal formulada, simplesmente porque a teoria da seleção natural não tem por objetivo “explicar como mecanismos moleculares complexos surgiram pelos processos Darwinianos”. A teoria da evolução por meio da seleção natural não tem por objetivo explicar o “surgimento”, e sim, e tão somente, como os sistemas vivos biológicos sofreram variações, mudanças e adaptações.

O problema da teoria do design inteligente é que se baseia em fundamentos não-científicos. É pseudo-ciência. Uma das propostas de Michael Behe é que biólogos evolucionistas “deletem” genes que codifiquem a formação de flagelos em bactérias que as tem, para observar se, depois de inúmeras gerações o flagelo surge novamente. Se surgir, a teoria da evolução estaria comprovada. A argumentação é invertida, e deveria ser formulada da seguinte maneira: Michael Behe e/ou os pesquisadores proponentes do design inteligente deveriam elaborar um experimento para comprovar a ação deste (design inteligente).

No que se refere a flagelos, em particular, defensores do design inteligente argumentam que, por serem “irredutivelmente complexos” não poderiam ser operantes sem todas as suas partes. Sendo assim, não poderiam ter evoluído gradualmente, e sim spenas surgido de uma vez, fruto de um design inteligente. Todavia, para muitos tipos de bactérias a função primária dos flagelos é a excreção, e não propulsão. Para outras bactérias, o flagelo é utilizado para que a bactéria possa aderir a uma superfície, ou em outras bactérias (S. I. Aizawa, Bacterial flagella and Type-III secretion systems, FEMS Microbiology Letters, volume 202, páginas 157-164, 2001). Flagelos foram tornando-se cada vez mais complexos ao longo da evolução. Por exemplo, em Archea (bactérias primitivas) 18 a 20 genes são necessários para o desenvolvimento de um flagelo de 2 partes, utilizado principalmente para excreção e adesão. Na bactéria Campylobacter jejuni são necsssários 27 genes para a formação de um flagelo já envolvido em atividades motoras. Na bactéria Escherichia coli são necessário 44 genes para a formação de um flagelo que atua para o movimento coordenado da bactéria. Ou seja, o processo evolutivo é claro. Não há design inteligente. Para referências acessíveis, ver: http://www.newscientist.com/article/dn13663-evolution-myths-the-bacterial-flagellum-is-irreducibly-complex.html , ou http://www.health.adelaide.edu.au/Pharm/Musgrave/essays/flagella.htm . Para uma referência em revista científica: R. Liu e H. Ochman, Stepwise formation of the bacterial flagellar system, Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of America, volume 104, páginas 7116-7121, 2007).

Por se constituir em fundamentos pseudo-científicos, a American Association for the Advancement of Science (AAAS) publicou uma resolução sobre o ENSINO da teoria do design inteligente em aulas de ciência em escolas norte-americanas. O texto completo da AAAS pode ser lido em http://www.aaas.org/news/releases/2002/1106id2.shtml

[Mario B. di M. Giacomelli] [São Carlos – SP]

Visto que, por obrigação, já na Europa tive de ler a vasta maioria dos livros recomendados, e também os “não-ortodoxos” à Ciência, gostaria de trazer à lume algumas dificuldades desconcertantes à Seleção Natural: Qual é a probabilidade de uma molécula SIMPLES formar-se em um Coacervado (Caldo Orgânico)? Os evolucionistas reconhecem que é de apenas 1 em 10¹¹³ (Um seguido de 113 zeros!) Mas qualquer acontecimento que tenha uma probabilidade em apenas 10 elevado a 50 é rejeitado pelos matemáticos como jamais tendo ocorrido. Tem-se uma idéia das probabilidades envolvidas no fato de que o Nº 10¹¹³ é maior do que o total estimado de todos os átomos do Universo! Sobre as proteínas que atuam como enzimas, são necessárias 2000 às atividades da célula. Qual a probabilidade de se obtê-las nos bilhões de anos evolutivos, ainda que com a atuação da Seleção Natural? O astronômico resultado de 10 elevado a 40.000!(Quarenta Mil Zeros) Por isso, asserções conclusivas são um campo perigoso à Ciência.

08/12/2008 00:54

MG (081208-00:54) – Prefiro não comentar os números mencionados nesta postagem por desconhecer a fonte de onde Mario Giacomelli os obteve. Além disso, uma molécula simples não se transforma em coacervado. São necessárias muitas moléculas, não tão simples assim. A bibliografia citada em minhas postagens anteriores é bastante útil para esclarecer tal ponto. “Os evolucionistas reconhecem…”. Quem são tais evolucionistas? Reconhecem aonde?

[Mario B. di M. Giacomelli] [São Carlos – SP]

Concernente à Tríade Oparin-Miller-Fox, a experiência de Stanley Miller, de 1953, muitas vezes é citada como evidência de que a geração espontânea poderia ter acontecido no passado. A validade de sua explicação, contudo, baseia-se na suposição de que a atmosfera primordial da Terra era “de redução”. Isso significa que continha apenas a menor quantidade de oxigênio livre (não-combinado quimicamente). Por quê? O livro “O Mistério da Origem da Vida: Reavaliando Teorias Correntes” (em inglês) destaca que, se houvesse muito oxigênio livre, ‘nenhum aminoácido poderia ter sido formado e, se por acaso fosse formado, se decomporia rapidamente’. Num documento clássico publicado dois anos depois de sua experiência, Miller escreveu: “É claro que essas idéias são especulações, pois não sabemos se a Terra realmente tinha uma atmosfera de redução quando foi formada. . . . Até agora não se achou nenhuma evidência direta.” – Journal of the American Chemical Society, 12 de maio de 1955. (cont…)

08/12/2008 01:09

MG (081208-01:09) – Interessante é Mario Giacomelli citar a experiência de Miller de 1953, e simplesmente esquecer de que esta foi apenas sua experiência original (genial). Stanley L. Miller publicou até o presente 173 trabalhos indexados no web of science (base de dados científica para o levantamento de bibliografia, citações e outras informações). Destes trabalhos, obteve até o presente 7127 citações (são muitas citações). Somente o seu trabalho original publicado na Science (A production of amino acids under possible primitive Earth conditions, Science, volume 117, páginas 528-529, 1953) lhe rendeu até agora 848 citações. O livro “The Mystery of Life’s Origin: Reassessing Current Theories” (Phylosophical Library, 1984) foi escrito por Charles B. Thaxton, Walter L. Bradley e Roger L. Olsen, três cientistas protestantes, criadores da revista “Origins & Design” que propaga a teoria do design inteligente, juntamente com Michael Behe, William Dembski e Phillip Johnson no seu corpo editorial. O “documento clássico” de Miller nada mais é do que seu artigo de 1953 da Science publicado na íntegra, com detalhes experimentais, no Journal of the American Chemical Society (“Production of Some Organic Compounds under Possible Primitive Earth Conditions”, volume 77, páginas 2351-2361, 1955) do qual reproduzo na íntegra o parágrafo a que se refere Mario Giacomelli:

These ideas are of course speculation, for we do not know that the Earth had a reducing atmosphere when it was formed. Most of the geological record has been altered in the four to five billion years since then, so that no direct evidence has yet been found. However, the experimental results reported here lend support to the argument that the Earth had a reducing atmosphere; for if it can be shown that the organic compounds that make up living systems cannot be synthesized in an oxidizing atmosphere, and if it can be shown that these organic compounds can be synthesized in a reducing atmosphere, then one conclusion is that the Earth had a reducing atmosphere in its early stages, and that life arose from the sea of organic compounds formed while the Earth had this atmosphere. This argument makes the assumption that for life to arise, there must be present first a large number of organic compounds similar to those that would make up the first organism.”

Como bom cientista que era, ainda no início de sua carreira, Miller evita apresentar conclusões precipitadas no seu artigo. Todavia, vale a pena conhecer o livro que Miller escreveu junto com Leslie E. Orgel, “The Origins of Life on Earth” (Prentice Hall, 1974). Também é interessante notar como a ciência, na sua essência, avalia e re-avalia trabalhos antigos, trazendo à luz novas e importantes informações. Em artigo de 2008, Miller e colaboradores discutem que a atmosfera primitiva e pré-biótica terrestre não era redutiva, e sim neutra (Cleaves e colaboradores, “A reassessment of prebiotic organic synthesis in neutral planetary atmospheres”, publicado na revista Origins of life and evolution of biospheres, volume 38, páginas 105-115, 2008). Ainda interessante é o fato de recentemente pesquisadores americanos e mexicanos terem tido acesso aos frascos originais (preservados!!) das reações de Miller de 1953 (Johnson e colaboradores, Science, vol. 322, página 404, 2008). Após análises utilizando métodos químicos e físico-químicos modernos, descobriram que, na verdade, a reação de Miller formou 22 aminoácidos e 5 aminas, e não somente 5 aminoácidos como Miller detectou com os métodos disponíveis na época.

[Mario B. di Modena Giacomelli] [São Carlos – SP]

(continuação…) Encontrou-se mais tarde essa evidência? Uns 25 anos depois, o articulista científico Robert C. Cowen publicou: “Os cientistas estão tendo de repensar algumas de suas suposições. . . . Surgiram poucas evidências em apoio da noção de uma atmosfera rica em hidrogênio, altamente de redução; no entanto, há certas evidências contra ela.” – Technology Review, abril de 1981. (O oxigênio é altamente reativo. Por exemplo, ele se combina com o ferro e forma ferrugem, ou com o hidrogênio e forma água. Se houvesse muito oxigênio livre numa atmosfera quando os aminoácidos estivessem sendo montados, ele rapidamente se combinaria com as moléculas orgânicas e as desmancharia, à medida que fossem formadas.)…continuação… 08/12/2008 01:15

bem como…

[Mario B. di M. Giacomelli] [São Carlos – SP]

(continuação…) E desde então? Em 1991, John Horgan escreveu em Scientific American: “Na última década, mais ou menos, aumentaram as dúvidas a respeito das suposições de Urey e Miller sobre a atmosfera. Experiências em laboratório e reconstruções computadorizadas da atmosfera . . . sugerem que a radiação ultravioleta do Sol, hoje bloqueada pelo ozônio atmosférico, teria destruído as moléculas à base de hidrogênio na atmosfera. . . . Tal atmosfera [dióxido de carbono e nitrogênio] não teria sido conducente à síntese de aminoácidos e de outros precursores da vida.” Por que, então, muitos ainda sustentam que a atmosfera primitiva da Terra era de redução, contendo pouco oxigênio? (continuação…) 08/12/2008 01:20

e ainda…

[Mario B. di M. Giacomelli] [São Carlos – SP]

…(continuação) Em “Molecular Evolution and the Origin of Life” (Evolução Molecular e a Origem da Vida), Sidney W. Fox e Klaus Dose respondem: na atmosfera certamente não havia oxigênio porque, por um lado, “experiências em laboratório mostram que a evolução química . . . seria grandemente inibida pelo oxigênio” e porque componentes tais como os aminoácidos “não são estáveis no decurso de períodos geológicos na presença de oxigênio”. Mas, caro Marcelo Leite e colegas: Não seria esse um raciocínio evasivo? A atmosfera primitiva era de redução, diz-se, pois do contrário a geração espontânea da vida não poderia ter ocorrido. Mas realmente não existe certeza de que era de redução. (????) Ainda há outro detalhe importante: se a mistura de gases representa a atmosfera, a faísca elétrica imita o relâmpago e a água fervente seria o mar – o que, ou a quem, representa o cientista que faz a experiência? 08/12/2008 01:26

Resposta de Marcelo Leite:

MARIO:

Suponhamos por um instante, apenas para efeito de argumentação, que não se possa concluir nem excluir que a vida tenha surgido espontaneamente da maneira que se especula. De que modo isso corroboraria a afirmação de que ela foi criada por Deus? Outra coisa: reproduzi todos os seus comentários (o que vou continuar a fazer) e respondi boa parte deles, civilizadamente, mas preciso fazer outras coisas na vida. Nada tenho que continue a postar seus comentários aqui, mas não conte mais com tantas respostas. Uma sugestão: por que você não cria seu próprio blog? É uma ótima ferramenta para pôr idéias no mundo e ver se elas sobrevivem na competição implacável com as outras. O único problema é que, na internet, você não poderá acusar autoridades estabelecidas de censurar suas idéias. Abraços virtuais, Marcelo Leite

MG (081208-01:15) – Sem dúvida que uma atmosfera ausente de ozônio destruiria muitas moléculas através de reações fotoquímicas. Mas não todas, inclusive a maioria dos aminoácidos sobrevive muito bem à radiação ultravioleta, principalmente quando dissolvidos em água. Cabe ainda mencionar ventos hidrotermais de fossas abissais oceânicas, de onde se emana gigantescas quantidades de ácido sulfídrico (H2S), altamente redutor. Ainda se desconhece a real importância destes sítios abissais em processos de síntese pré-biótica (ver, por exemplo: Isabelle Daniel, Philippe Oger and Roland Winter, Origins of life and biochemistry under high-pressure conditions, Chemical Society Reviews, volume 35, páginas 858 – 875, 2006). A presença de oxigênio, principalmente oxigênio como radical livre, é altamente danoso às moléculas orgânicas, em particular fragmentos de RNA e DNA. Sendo assim, é realmente muito pouco provável que a atmosfera primitiva tivesse oxigênio, mesmo em quantidades muito pequenas. Todavia, o fato de não sabermos como era exatamente a composição da atmosfera primitiva pré-biótica terrestre não impede de podermos elaborar modelos e testá-los para verificar sua plausibilidade no surgimento de moléculas complexas estruturadas no interior de micelas, constituindo entidades operacionais e funcionais (células primitivas). Volto a sugerir o livro de Pier Luisi Luigi “The Emergence of Life”, excelente referência sobre os estudos desta natureza. Sobre a pergunta final de Mario Giacomelli “o que, ou a quem, representa o cientista que faz a experiência?”, o cientista, neste caso, é o observador e o analisador dos resultados a serem obtidos.

[Mario B. di M. Giacomelli] [São Carlos – SP]

Desculpe-me, caro Marcelo, por evocar sua opinião, que demanda tempo, visto que tb. enviei meus últimos comentários em plena madrugada. Mas, para isso, também existem os colegas que aqui comparecem e que defendem com muita propriedade o que pensam. Todavia, se eu criar um blog próprio, cairei no paradigma de “blog voltado aos que concordam comigo, ao passo que dissidentes são rechaçados com veemência”. Nada mais salutar do que o debate democrático para ampliar horizontes, e tenho convicção de que meus comentários não seriam censurados por ti, como um colega já solicitou, posto que a censura e divulgação apenas de comentários a favor da corrente atual só faria eu ficar ainda mais convicto no que creio. Foi postado abaixo que todo desejo de um cientista (sou apenas um mero Pós-Graduado) é procurar derrubar qualquer corrente de pensamento atualmente aceito, …mas vale a acepção do conceito! “Io sono spiacente così molti posts che i hanno fatto”. Com retratações, Mario Modena Giacomelli. 09/12/2008 10:42

e…

[Mario B. di M. Giacomelli] [São Carlos – SP]

Caro Vital: Os números citados, atronômicos para as probabilidades de emergência espontânea da vida em apenas 3 bilhões de anos (30 elevado a 09), não o são em relação ao tamanho do Cosmos, ainda em plena expansão, posto que 0,01% da matéria contida no inteiro Universo é uma quantia bem considerável, ao contrário de 3.000.000 de anos terrestres para a Evolução Química e Orgânica, tal qual aceita atualmente. Cifras astronômicas são compatíveis e prováveis em um contexto Cosmológico (i.e., a dimensão do inteiro Universo), porém proibitivas para o surgimento de um Coacervado Oceânico em tão pouco tempo, do ponto de vista astronômico (Vide meu post sobre a clássica experiência de Stanley Miller). Como exemplo prático, a distância-padrão de Ano-luz na Astronomia ultrapassa em muito a barreira aplicada às probabilidades de eventos terrestres. São metodologias de cálculos bem distantes… 09/12/2008 10:45

MG (091208-10:45) – Teria sido interessante que em sua resposta ao Vidal o Mario tivesse fornecido suas referências para a menção dos números astronômicos.

[Mario B. di M. Giacomelli] [São Carlos – SP]

Como não acredito que Deus criou todos os complexos sistemas de vida na Terra em 7 dias de 24 horas terrestres, não me sinto na obrigação de defender o Criacionismo, assim como não existe nenhuma evidência que comprove a Evoluçação, apenas asserções dogmáticas de cientistas cujos livros são citados à exaustão. O fato é que, por exemplo, se neste exato instante alguém pedir provas a Richard Dawkins sobre a Evolução, ele simplesmente se limitará a dar créditos e referências a outros colegas que nada provaram, e mui provavelmente irá vociferar com seu dogmatismo passional que a Evolução é um fato. Notem, p. ex., outras frases dogmáticas, que porém nada provam, do cientista S.J. Gould : O trabalho vitalício de Darwin foi “confirmar o fato da evolução”. “O fato da evolução é tão bem confirmado quanto qualquer outra coisa na ciência (tão seguro como a revolução da Terra ao redor do sol)”. (continuação…) 09/12/2008 10:57

MG (091208-10:57) – Novamente, se não existissem evidências experimentais que comprovam a teoria da evolução através da seleção natural, esta não seria aceita. Portanto, as “asserções dogmáticas” a que Mario Giacomelli se refere são fatos obtidos como fruto de muito trabalho (mais de 150 anos). Apenas para citar um único exemplo, o trabalho de Peter e Rosemary Grant com os pássaros das Ilhas Galápagos durante 30 anos (P. R. Grant, “Ecology and evolution of Darwin’s finches”, Princeton University Press, 1986; J. Weiner, “The beak of the finch: a story of evolution in our time”, Alfred A. Knopf editor, 1994) demonstrou mudanças hereditárias tanto de caráter morfológico como comportamental, e foram relacionadas a mudanças da disponibilidade de sementes utilizadas como alimentos devido a mudanças climáticas. Este é um único exemplo, de inúmeros, de estudo de variação e mudança biológica através de processos de seleção natural. Quais os experimentos realizados por Michael Behe e William Dembski que forneceram dados que dão suporte à teoria do design inteligente?

[Mario B. di M. Giacomelli] [São Carlos – SP]

Já por volta da época da morte de Darwin, “quase todas as pessoas refletivas vieram a aceitar o fato da evolução”. Gould a mencionou como um “fato seguro” e “o fato da transmutação”. “A evolução é também um fato da natureza.” “A evolução está tão bem confirmada quanto qualquer fato científico.” “Nossa confiança no fato da evolução repousa sobre copiosos dados.” Ele fala da concordância entre os biólogos “sobre o fato da evolução”. “Os teólogos não se têm afligido com o fato da evolução.” “Conheço centenas de cientistas que partilham da convicção sobre o fato da evolução.” (Discover Magazine, January, 1987). Em certo ponto do artigo, Gould disse: “Não quero parecer um estridente dogmático que brada ‘juntem-se à nossa causa, rapazes’, mas os biólogos chegaram a um consenso. . . sobre o fato da evolução”. Não notei nesta matéria da Discover Magazine de S.J.Gould, nenhum dado inserido, prova conclusiva, ensaio baseado em metodologia científica, que corrobore este palavreado todo…

09/12/2008 11:09

MG(091208-11:09 – O problema de se utilizar revistas de divulgação científica, como a Discover Magazine, como fonte de informações é que raramente dados experimentais são apresentados e discutidos de forma extensa e conclusiva para dar suporte aos argumentos apresentados. Daí a necessidade em se ir mais além, e buscar por fontes primárias onde os dados experimentais são apresentados e discutidos de maneira apropriada.

[[Mario B. di M. Giacomelli] [São Carlos – SP]

Caro Vidal: Reconheço humildemente que, apesar de 02 décadas de vida acadêmica na Itália, embora afastado do meio universitário no Brasil (o que me dá ainda mais liberdade de pesquisar o que me fascina), não tenho resposta para todas as perguntas, e mesmo sendo Ph.D, não gosto de utilizar este título para dar crédito ao que digo sem provas (acho isso obsceno, até), assim como a Ciência não detém todas as respostas que intrigam a raça humana. Todavia, os dados que apresentei são fidedignos e abalizados, e não forjarei dados que corroborem minha opinião, por considerar esta prática altamente repulsiva na Ciência. Alguns notáveis fizeram isso, como o “inventor” do embuste científico chamado “Homem de Piltdown”, mesclando fragmentos de crânio humano e de chimpanzé para provar sua “tese”, aceito entre a comunidade científica por anos, até ser exposto como fraude. Mas é uma opção pessoal minha pesquisar acuradamente os assuntos, nem que levem um cauteloso tempo necessário para isso.(cont…) 09/12/2008 15:04

MG(091208-15:04) – O fato de a ciência não ter resposta para todas as perguntas não é problema. Muito pelo contrário. É isso o que torna a ciência tão interessante, pois está sempre buscando respostas. Para tanto, é necessário formular as questões de maneira adequada, porém. Importante também é ressaltar que a ciência reconhece suas limitações e também é extremamente auto-crítica. A ciência e os cientistas não pretendem, em absoluto, serem “os donos da verdade”, e sim prover evidências para os fenômenos naturais bem como buscar soluções para os inúmeros problemas relacionados à nossa existência. Em seu 125º aniversário (2005), a revista Science lançou um número (em 1º de julho) sobre questões ainda não respondidas pela ciência. São estas: Do que é feito o universo? Qual é a base biológica da consciência? Porque humanos têm tão poucos genes? Em que extensão estão correlacionadas variação genética e a saúde dos indivíduos? As leis da física podem ser unificadas? Quão possível a vida humana pode ser estendida? O que controla a regeneração dos órgãos? Como uma célula de pele se torna uma célula nervosa? Como uma única célula somática se torna uma planta completa? Como funciona o interior do planeta Terra? Estamos sozinhos no universo? Como e onde surgiu a vida na Terra? O que determina a diversidade das espécies? Quais mudanças genéticas tornam o homem único? Como nossas memórias são guardadas e recuperadas? Como evoluiu o comportamento cooperativo? Como grandes explicações surgirão a partir de um oceano de dados biológicos? Quão longe se poderá observar a auto-agregação química? Quais são os limites da computação convencional? Podemos desligar seletivamente respostas imunológicas? Existem princípios subjacentes à incerteza e à não-localização quânticas? A vacina anti-HIV é factível? Quão quente será o efeito estufa mundial? O que substituirá o petróleo barato, e quando? (Yes, nós temos o biodiesel!!) Malthus continuará errado?

[Mario B. di M. Giacomelli] [São Carlos – SP]

(continuação…) Todavia, sua pertinente pergunta sobre “qual a probabilidade de existir vida (não importa sua origem) num universo constituído de 99,99% de “poeira e gás”, como seguramente é o nosso universo”, apesar de não dispor de dados estatísticos, pois sou da área de biológicas, e não das exatas, é justamente essa clamorosa dificuldade de haver vida sem intervenção sobre-humana que me faz ter ainda mais convicção na existência de um Criador (em que pese o termo) que detenha o poder de gerar matéria a partir do nada, ou de energia intrínseca a Ele (se Deus é formado por matéria atômica ou não é outra questão…), visto que foi citado aqui até a equação de Einstein (E= m.c²) , e sendo equação, uma pista de via dupla, principalmente quando não há matéria alguma mensurável como limitadamente a conhecemos. Não sendo “o detentor da verdade absoluta”, se descobrir a desconcertante pergunta, responderei com grande prazer 😀

09/12/2008 15:06

MG (091208-15:06) Na verdade “a probabilidade de existir vida (não importa sua origem) num universo constituído de 99,99% de “poeira e gás”, como seguramente é o nosso universo” é difícil de calcular. Porém, em se considerando que existimos (e, portanto, pensamos), esta probabilidade deve ser calculável. Uma pergunta alternativa a esta é: qual a probabilidade de existir vida em outros planetas? Tanto quanto eu saiba, muito grande, quase 100%. Uma possibilidade para realizar este cálculo é se utilizar a “equação de Drake” (http://en.wikipedia.org/wiki/Drake_equation). Novamente, o fato de não sabermos exatamente como a vida surgiu e evoluiu no nosso planeta, se existe ou não vida em outros planetas, ou outros universos, ou do que é constituída a matéria negra do universo, não nos obriga a necessariamente fazermos uso de uma explicação sobrenatural. Esta é uma atitude cômoda e preguiçosa, conformista e dogmática, que não leva a nenhuma busca, e que diminui o interesse em se conhecer as possíveis respostas para estas questões. Tal “explicação” (teística) foi muito utilizada durante os primeiros quase 1500 anos da história da civilização ocidental. Felizmente, homens como Kepler, Galileu, Newton e muitos outros resolveram arregaçar as mangas e colocar a matéria cinzenta cerebral para trabalhar para prover explicações mais convincentes para muitas perguntas até então inexplicadas. Felizmente, também, continuamos nesta busca. Infatigavelmente. Infelizmente, porém, a famosa equação de Einstein é a mais fácil de ser erroneamente utilizada, para os mais diversos propósitos. Como diria Andrès Segovia, violonista espanhol falecido em 1987, “o violão é o instrumento de ser mais facilmente mal tocado”.

[Mario B. di M. Giacomelli] [São Carlos – SP]

Lendo as últimas assertivas dogmáticas que (ainda) permeiam os comentários, só posso fazer lamentar, e, em relação ao registro fóssil, S.J. Gould teveria ter lido na revista New Scientist que a evolução “prediz que uma documentação fóssil completa consistiria em linhagens de organismos que mostrassem contínua mudança gradual, por longos períodos de tempo”. Mas, admitiu: “Infelizmente, os fósseis não satisfazem esta expectativa, pois espécies individuais de fósseis raramente acham-se conectadas umas às outras por meio de conhecidas formas intermediárias. …espécies fósseis conhecidas realmente parecem não ter evoluído, mesmo no decorrer de milhões de anos.” (February, 4th, 1982, p.320) O geneticista Stebbins escreveu: “Não se conhecem formas transicionais entre quaisquer dos principais ramos de animais ou plantas.” Menciona “existirem grandes lacunas entre muitas das principais categorias de organismos”. (Processes of Organic Evolution, p.147). 10/12/2008 17:18

MG (101208-17:18 e 17:25) – No que se refere ao registro fóssil, este é suficientemente completo para que fosse possível elaborar árvores filogenéticas entre os organismos vivos, verificar a história evolutiva de diferentes grupos de organismos e estabelecer ancestralidade e descendência entre grupos de organismos (C.R.C. Paul, The recognition of ancestors, Historical Biology, volume 6, páginas 239-250, 1992; A. B. Smith, Systematics and the fossil Record, Blackwell Scientific, 1992; M. Foote, On the probability of ancestors in the fossil Record, Paleobiology, volume 22, páginas 141-151; P. J. Wagner, Contrasting the underlying patterns of active trends in morphological evolution, Evolution, volume 50, páginas 990-1007, 1996; P. J. Wagner, The utility of fossil data in phylogenetic analyses: a likelihood example using Ordovician-Silurian species of the Lophospiridae (Gastropoda:Murchinsoniina), American Malacological Bulletin, volume 15, páginas 1-31, 1999; P. D. Roopnarine, The description and classification of evolutionary mode: a computational approach, Paleobiology, volume 27, páginas 447-455, 2001).

Mais importante do que formas transicionais são características transicionais, pois estas, sim, indicam o processo evolutivo. As “características derivadas compartilhadas” (a tradução é minha), também chamadas de sinapomorfias, são os elementos que fundamentam a reconstrução filogenética dos grupos de organismos. Se uma sinapomorfia é encontrada em um ou mais organismos relacionados, deveria necessariamente se encontrar no ancestral comum a estas espécies. Se tais características evoluíram independentemente, tem-se o que se chama de convergência evolutiva; tal é o caso dos olhos, que evoluíram de maneira independente em mais de 20 diferentes grupos de organismos. Ou seja, melhor do que buscar por fósseis de ancestrais lineares, é buscar sinapomorfias que conectam ancestrais colaterais. Exemplos desta abordagem: a evolução dos pássaros a partir de pequenos dinossauros (L. Dingus e T. Rowe, The mistaken extinction: dinosaur extinction and the origin of birds, W. H. Freeman editor, 1998; K. Padian e L. M. Chiape, The origin and early evolution of birds, Biological Reviews, volume 73, páginas 1-42, 1998), a evolução das baleias a partir de ungulados terrestres (J. G. M. Thewissen, The emergence of whales: evolutionary patterns in the origin of Cetacea, Plenum Press, 1998), dentre outros.

Idêntica citação de Edmund Samuel pode ser encontrada na internet no site http://www.forumnow.com.br/vip/mensagens.asp?forum=15836&grupo=17762&topico=2277935&pag=5&v=1, a qual foi postada em 13/04/2004, ou ainda no site “The Hare Krishna views of science” (http://krishnascience.com/3_Shaky_basics_2.html). Não encontrei referência a Edmund Samuel como evolucionista em outras fontes (web of science, scopus, Google scholar) A citação de Carl Sagan pode ser encontrada em diversos sites da internet. Basta procurar no Google “Carl Sagan fossil evidence”. Quem conhece o livro “O mundo assombrado pelos demônios” (Companhia das Letras, 1995) e a série “Cosmos” (disponível em DVD, pelo menos até 2008, no site da Abril, www.lojaabril.com.br) conhece as posições de Sagan sobre a teoria da evolução. Não vale a pena discutir tais frases fora de seu contexto original.

[Mario B. di M. Giacomelli] [São Carlos – SP]

(…cont.)…”Com efeito”, admite The New Evolutionary Timetable, (p.95), “os fósseis não documentam de forma convincente uma transição sequer de uma espécie em outra. Ademais, as espécies duraram por períodos surpreendentemente longos de tempo”. “Não se pode considerar o conceito de evolução como forte explanação científica para a presença de diversas formas de vida”, conclui o evolucionista Edmund Samuel em seu livro Order: In Life (p. 120) Por que não? Acrescenta ele: “Nenhuma análise meticulosa de distribuição biogeográfica ou do registro fóssil pode apoiar diretamente a evolução.” Apesar da posição de Gould, o inquiridor imparcial seria levado a concluir que os fósseis não apóiam a Evolução. Contrário à opinião de S.J. Gould, o astrônomo Carl Sagan reconhece, candidamente, em seu livro Cosmos: “As evidências fósseis podem ser consistentes com a idéia de um Grande Projetista. (Cosmos, Carl Sagan, p.29).

10/12/2008 17:25

e…

[Mario B. di M. Giacomelli] [São Carlos – SP]

…(cont.)… Em relação a confiabilidade da datação por radiocarbono, ou Isótopo Carbono 14, segundo a Time Magazine, “sabe-se que tais cálculos, embora valiosos, também são incertos”. A revista acrescentou que “os níveis de Carbono 14 no ar – e, assim, a quantidade ingerida pelos organismos – variam com o tempo e que isso pode influir nos resultados da datação pelo carbono”. Notem que confiabilidade é condição ‘sine qua non’ para adotarmos uma metodologia para datação de fósseis. Infelizmente, como comentado abaixo, talvez eu também esteja engajado em um “diálogo de surdos”, posto que na maior parte das vezes reproduzo, não minha própria opinião, mas o que os próprios evolucionistas de nomeada declaram em seus respectivos livros e artigos publicados. Não sei se estou sendo ofensivo, por referenciar meus argumentos. Nem sei se também estou sendo dogmático, e solicito que os próprios participantes da discussão me corrijam, para uma auto-análise enquanto participante do blog.

10/12/2008 17:39

MG (101208-17:39, 21:26, 21:31, 21:37, 21:53) – No que se refere à datação isotópica, em 2002 a revista “Accounts of Chemical Research” publicou um número especial sobre a utilização de métodos radioisotópicos em pesquisa. Deste número, particularmente interessante é o artigo de Henry P. Schwarcz, Chronometric Dating in Archaeology: A Review, Accounts of Chemical Research, volume, página 637-643, 2002. Basicamente, na atualidade não se utiliza radiodatação somente com carbono-14, mas também (e simultaneamente) com urânio-234, urânio-235, potássio-40 e argônio-40. A utilização destas medições simultaneamente diminuiu muito a taxa de erro em medidas cronológicas (algumas com margem de erro de 1%), além de terem eliminado a possibilidade de avaliações errôneas devido à alta taxa de emissões de carbono. Além disso, o advento da biologia molecular e a utilização das taxas de mutação para se calcular a posição evolutiva (em termos cronológicos) de determinado grupo de organismos em muito contribuiu para o aprimoramento da datação dos eventos evolutivos (R. Lewin, Patterns in evolution: the new molecular view, Scientific American Library, 1999).

Não creio que Mario Giacomelli seja ofensivo em referenciar seus argumentos, mesmo porque para muitos destes não é fornecida nenhuma referência, ou apenas referências incompletas, na sua maioria de revistas de divulgação científica. Por exemplo, quando manifesta que “talvez eu também esteja engajado em um “diálogo de surdos”, posto que na maior parte das vezes reproduzo, não minha própria opinião, mas o que os próprios evolucionistas de nomeada declaram em seus respectivos livros e artigos publicados.”, seria realmente muito bom que fornecesse as referências completas que menciona, não apenas o título da revista ou livro. Da maneira como as cita, tais referências não têm qualquer utilidade.

[Mario B. di M. Giacomelli] [São Carlos – SP]

Em meu último comentário (datação de fósseis via Carbono 14), apenas citei o parecer de um periódico, mas não expliquei como funciona, nem as falhas passíveis da datação radioativa. O relógio radiocarbônico era muito simples e constante quando foi inicialmente demonstrado, mas, sabe-se agora que está propenso a erros. Depois de tal método ser empregado por uns 20 anos, realizou-se em, Upsala, Suécia, em 1969, uma conferência sobre a cronologia radiocarbônica e outros métodos relacionados de datação. As discussões ali travadas entre químicos que praticam tal método, e arqueólogos e geólogos que utilizam os resultados, trouxeram a lume uma dezena de falhas que talvez invalidassem as datas. Um problema incomodativo tem sido sempre o de garantir que não houve contaminação da amostra submetida ao teste, quer pelo carbono moderno (vivo), quer pelo carbono antigo (morto). (…continua…) 10/12/2008 21:26

e…

[Mario B. di M. Giacomelli] [São Carlos – SP]

…(cont)… Um pedacinho de madeira, por exemplo, retirado do cerne duma árvore antiga talvez contenha seiva viva. Ou, se esta foi removida com um solvente orgânico (feito de petróleo morto), um vestígio do solvente poderia ter ficado na porção analisada. Antigo carvão enterrado poderia ter sofrido penetração pelas radículas das plantas vivas. Ou poderia ser contaminada por betume muito mais antigo, difícil de remover. Encontraram-se conchas vivas com carbonatos de minerais há muito enterrados, ou das ressurgências das profundidades oceânicas onde têm estado por milhares de anos. Tais coisas podem fazer com que um espécime pareça mais antigo ou mais jovem do que realmente é. (…continua)…10/12/2008 21:31

bem como…

[Mario B. di M. Giacomelli] [São Carlos – SP]

(cont…) Os animais, e nós, humanos, comemos os tecidos vegetais, assim tudo que vive vem a conter radiocarbono na mesma proporção em que é encontrado no ar. Enquanto algo vive, o radiocarbono nele, que se desintegra, é reabastecido por nova ingestão. Mas, quando morre uma árvore ou um animal, corta-se-lhe o suprimento de radiocarbono fresco, e começa a diminuir o nível de radiocarbono nele. Se um pedaço de carvão vegetal ou um osso de animal acha-se preservado por 5.700 anos, conterá apenas a metade do radiocarbono que possuía quando estava vivo. Por outro lado, a proporção é afetada pela quantidade de carbono estável no ar. Grandes erupções vulcânicas aumentam consideravelmente as reservas do estável bióxido de carbono, assim diluindo o radiocarbono. (continua)…10/12/2008 21:37

e ainda…

[Mario B. di M. Giacomelli] [São Carlos – SP]

A queima de combustíveis fósseis, especialmente do carvão e do petróleo aumentou de forma permanente a quantidade de bióxido de carbono atmosférico. A falha mais severa nessa datação acha-se na pressuposição de que o nível de carbono 14 na atmosfera tem sido sempre o mesmo que agora. Esse nível depende, em primeiro lugar, da taxa em que é produzido pelos raios cósmicos. Os raios cósmicos às vezes variam grandemente de intensidade, sofrendo grande influência das mudanças no campo magnético da Terra. As tempestades magnéticas solares às vezes aumentam a intensidade dos raios cósmicos em mil vezes, por poucas horas. O campo magnético da Terra já foi tanto mais forte como mais fraco em milênios passados. E desde a explosão das bombas nucleares, o nível global de carbono 14 aumentou substancialmente. (Não sei se expliquei ou compliquei mais) Em suma: para curtos espaços de tempo ( for o tempo de cálculo. 10/12/2008 21:53

também…

[Mario B. di M. Giacomelli] [São Carlos – SP]

Caro Adalberto: Em que pese o fato de dar a IMPRESSÃO DE QUERER A TODO CUSTO que exista um criador, assim como os Criacionistas religiosos, do qual NÃO faço parte, é justamente em meus anos de estudo passados (a Itália não é um país tão ruim assim para se graduar), e meu pragmatismo em relação à análise das evidências ou não-evidências, probabilidades de emergência de vida a partir da formação e ordenamento funcional das células e moléculas (que são extremamente complexas, como qualquer colega biólogo pode atestar), e sendo esta emergência de vida no Oceano Primevo tão “do nada” quanto a existência de uma criação divina a partir “do nada”, verificação através de leitura de artigos acadêmicos e livros das várias correntes de pensamento evolucionárias, contraditórias entre si, que me fazem eu pender para o lado que exige menos fé, menas credulidade passional. Evolução é uma questão de Fé tão semelhante a Fé divina. Fico com a mais provável. Abraços pragmáticos,porém não-dogmáticos. 11/12/2008 12:28

MG (111208-12:28 – Seria interessante que Mario Giacomelli fornecesse pelo menos alguns exemplos de “artigos acadêmicos e livros das várias correntes de pensamento evolucionárias, contraditórias entre si”. Curioso é Giacomelli manifestar que tais “contradições” o fazem “pender para o lado que exige menos fé, menos credulidade passional”. É mesmo? Se tal for o caso, gostaria que fornecesse evidências experimentais reprodutíveis que sustentem a teoria do design inteligente. Esta sim requer fé para ser aceita. Evolução não é uma questão de fé. A teoria da evolução se baseia em fatos observados e observáveis, por mais de 150 anos, e por dezenas de cientistas, de maneira independente. Volto a assinalar: se evolução fosse fruto de fé, não seria cientificamente aceita. Ponto.

[Mario B. di M. Giacomelli] [São Carlos – SP]

Em acréscimo ao meu comentário sobre o Carbono 14, confrontados com as falhas da datação do Isótopo Carbono 14, as pessoas a favor do radiocarbono voltaram-se para a padronização de suas datas com a ajuda de amostras de madeiras datadas pela contagem dos anéis das árvores, notavelmente as dos pinheiros americanos, que vegetavam por centenas e até milhares de anos na parte sudoeste dos Estados Unidos. Este campo de estudos é chamado de dendrocronologia. Assim, o relógio radiocarbônico não é mais considerado como resultando em uma cronologia absoluta, mas em uma que mede apenas datas relativas. Para se obter a data real, a data do radiocarbono tem de ser corrigida pela cronologia dos anéis das árvores. Assim sendo, o resultado de uma medição de radiocarbono é mencionada como “data de radiocarbono”. Por cotejar esta com uma curva de calibração baseada nos anéis das árvores, infere-se a data absoluta. (continua…) 11/12/2008 20:59

bem como…

[Mario B. di M. Giacomelli] [São Carlos – SP]

…(cont.)…Isto é sensato enquanto for fidedigna a contagem de anéis do pinheiro americano. O problema surge então que a árvore viva mais antiga, cuja idade é conhecida, remonta apenas a 800 dC. A fim de estender a escala, os cientistas tentam comparar os padrões sobrepostos de anéis finos e grossos de pedaços de madeira morta encontrados nas cercanias. Por emendarem 17 restos de árvores caídas, afirmam remontar a 7.000 anos. Mas o padrão dos anéis de árvores tampouco é independente. Às vezes, os cientistas não estão seguros de onde é que devem colocar um dos pedaços mortos, assim, o que fazem? Solicitam a medição dele pelo relógio radiocarbônico e a utilizam qual guia para seu enquadramento. Isso nos faz lembrar dois aleijados com uma só muleta entre eles, que se revezam em usá-la, um deles apoiando-se por algum tempo no companheiro, e então ajudando-o a manter-se de pé. (continua…) 11/12/2008 21:04

também…

[Mario B. di M. Giacomelli] [São Carlos – SP]

(…cont…) A revista Science News, sob o título “Novas Datas para Ferramentas ‘Primitivas'”, noticiou: “Quatro artefatos ósseos que se pensava proverem evidência da ocupação humana da América do Norte há aproximadamente 30.000 anos, têm, no máximo, apenas cerca de 3.000 anos, relataram o arqueólogo D. Earl Nelson, da Universidade Simon Fraser, na Colúmbia Britânica, e seus colegas na SCIENCE, de 9 de maio. . . . “A diferença nas estimativas de idade entre os dois tipos de amostras de carbono do mesmo osso é, para dizer o mínimo, significativa. Por exemplo, um ‘descarnador’ utilizado para remover a carne das peles animais recebeu primeiro uma idade radiocarbônica de 27.000 anos. Essa idade foi agora revisada para cerca de 1.350 anos.” – 10 de maio de 1986. 11/12/2008 21:08

MG (111208-20:59, 21:04, 21:08) – Postagens estas extremamente informativas, que mostram, claramente, que os cientistas erram, erram mesmo, e medidas experimentais muitas vezes necessitam ser verificadas para confirmar sua consistência. Daí a necessidade de se desenvolver métodos diferentes para a obtenção de dados complementares. Esta é uma característica notável da ciência: sua contínua revisão e re-avaliação, de maneira a verificar a consistência de dados experimentais. Somente desta forma tais erros poderiam ter sido encontrados.

[Mario B. di M. Giacomelli] [São Carlos – SP]

(…cont…) É mesmo de admirar a miraculosa preservação de pedaços avulsos de madeira que jazem por tanto tempo ao ar livre. Pareceria que poderiam ser levados de roldão pela chuva pesada, ou apanhados por eventuais transeuntes para servir de lenha, ou para algum outro emprego. O que impediu o seu apodrecimento ou os ataques dos insetos? É crível que uma árvore viva possa suportar as devastações do tempo e do clima, ocasionalmente uma delas sobrevivendo mil anos, ou mais. Mas a madeira morta? Por seis mil anos? É preciso muita credulidade. É nisto, contudo, que se baseiam as datas radiocarbônicas mais antigas.(continua…)11/12/2008 21:11

MG (111208-21:11) – É, realmente, impressionante a quantidade de informações que se pode obter pela coleta judiciosa de dados experimentais de boa qualidade. A TV Cultura apresentou em seu programa “Cultura Mundo” durante 2008 um documentário realizado pela BBC de Londres sobre a civilização dos Minuanos na região da Grécia antiga (cerca de 1600-1650 a.C.) e de como esta civilização foi dizimada por uma erupção vulcânica em uma ilha vizinha, o que provocou um enorme tsunami. Os dados colhidos pelos arqueólogos sobre os depósitos de cinzas (oriundas da erupção vulcânica) em árvores fossilizadas na Inglaterra (!!) e ainda de altas taxas de ácido sulfúrico (devido à erupção vulcânica) em depósitos de gelo da Groelândia forneceram suporte para a ocorrência desta erupção vulcânica de proporções gigantescas, que dizimou uma civilização inteira. Encontrei alguma informação a este respeito no site da BBC (http://www.bbc.co.uk/dna/h2g2/alabaster/A721117). É, eu concordo: a ciência e os métodos científicos são absolutamente incríveis. Graças a estes, estou escrevendo no meu computador, constituído de chips de silício de alta tecnologia e uma tela de cristal líquido também de alta tecnologia, depois do almoço e ter escovado meus dentes com pasta dental fluorada, usando roupas tingidas com pigmentos artificiais produzidos pela indústria química, usando óculos com lentes anti-reflexo. A ciência é incrível. Eu tenho que concordar.

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(…cont…)Todavia, os peritos em radiocarbono e os dendrocronologistas têm conseguido pôr de lado tais dúvidas e transpor as lacunas e as incoerências, e ambos se sentem satisfeitos com sua transigência. Mas, que dizer de seus clientes, os arqueólogos? Nem sempre se sentem felizes com as datas obtidas das amostras enviadas para análise. Um se expressou da seguinte forma na conferência de Upsala (vide meus primeiros posts): “Se uma data do carbono 14 apóia nossas teorias, nós a colocamos no texto principal. Se não as contradiz inteiramente, colocamo-la numa nota de rodapé. E se estiver completamente ‘fora da data’, nós simplesmente a deixamos fora.”……. Boa viagem, Marcelo Leite, desejo que ela possa ser proveitosa (ou mesmo ociosa), e mais uma vez, muito obrigado por PUBLICAR ESTOICAMENTE meus comentários, e espero não ter ofendido ninguém, nem sua ilustre pessoa, neste artigo que, “creio” (risos) eu, tenha sido um dos mais contundentes em seu Blog. “Un stretto abbracci…”11/12/2008 21:25

MG (111208-21:25) – Queiram ou não, arqueólogos, paleontólogos, dendrocronologistas e biólogos que estudam evolução têm que conviver em um mesmo terreno, e encontrar uma base única e coerente para sustentar seus estudos. Já os que tentam explicar a vida baseada em criação, ou em design inteligente, apresentam severas discordâncias filosóficas e cronológicas em suas propostas. Alguns estabelecem o período de criação do universo e da Terra como sendo de 6 dias de 24 horas, mas quando? Alguns concordam com as propostas científicas mais aceitas, de que a idade do Universo se situa entre 20 e 25 bilhões de anos. Outros, como os Criacionistas da Terra Jovem (Young Earth Criacionists) sustentam que a idade da Terra situa-se entre 10.000 e 6.000 anos. OK.

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Caro Marcelo Leite: pode ficar despreocupado, pois não leciono aulas para crianças desavisadas (risos). Gostaria apenas de tecer mais um comentário abominável (oh-oh!, a “ovelha negra” novamente…) acerca do pensamento humano abstrato: Por quê temos um anseio inato por coisas que materialmente pouco contribuem para a nossa sobrevivência? Não só eu, mas o professor Michael Leyton em seu livro “Symmetry, Causality, Mind” (http://www.rci.rutgers.edu/~mleyton/homepage.htm) faz questionamento semelhante. “Por que as pessoas buscam tão apaixonadamente a arte?”. Como ele destaca, alguns talvez digam que a atividade mental, como a matemática, é obviamente benéfica para os humanos, mas de que serve a arte? Leyton argumenta dizendo que as pessoas viajam grandes distâncias para ver exibições de arte e concertos. Que emoção íntima está envolvida? Similarmente, pessoas em todo o mundo penduram fotos ou quadros nas paredes de sua casa ou de seu escritório. 17/12/2008 01:35

e também…

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Ou considere a música. A maioria gosta de ouvir certo estilo de música em casa ou no carro. Por quê? Certamente não é porque a música alguma vez tenha contribuído para a sobrevivência do mais apto. “A arte talvez seja o fenômeno mais inexplicável da espécie humana”, diz Leyton. Não seria o caso de nos perguntarmos: de onde vêm nossos valores estéticos? Se esses valores foram moldados, não por interferência sobre-humana (ups…), mas ao acaso, estas perguntas ficam em um limbo sem respostas. A Seleção Natural deve, em conjunto com o meio-ambiente alçar os mais aptos à sobrevivência. Nada além disso. Por que então, no caso do Homo sapiens sapiens, fomos tão longe em nossa capacidade neuronial (capacidade esta que utilizamos para, além de admirar o abstrato, levantarmos e debatermos questões profundas na coluna do Marcelo Leite?) 17/12/2008 01:46

MG (171208-01:35) – Questões como estas são realmente muito interessantes, e constituem objeto da chamada psicologia evolutiva, da qual não conheço nada. Todavia, argumentos de como a cultura é fruto da seleção natural podem ser encontrados no livro de Edward O. Wilson, “Consciliência” (Editora Campus, 1999). Wilson é sociobiologista, cristão, e sustenta a teoria da evolução de Darwin como poucos.

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Como exemplo: haveria necessidade em se adquirir um computador ou notebook com 01 Gigabyte de memória em disco rígido e processador de 04 Gigabytes, e ser utilizado apenas para processar cartas e parcos documentos no “Windows/Word”? Como a Evolução “adiantou-se tanto à própria Evolução”? O mesmo raciocínio vale em relação aos valores morais. A maioria das pessoas acredita ser execrável e errado o ato de cometer Assassinato. Mas pode-se perguntar: Errado em relação COM O QUÊ? Qual é a função desse padrão inato de moralidade, diametralmente oposta à necessidade da perpetuação do mais apto por meio da Seleção Natural? O que S. Gould e R. Dawkins teria a nos dizer sobre isso? E se for o caso de um criador que tem valores morais ter implantado a faculdade de consciência, ou senso ético, nos humanos? 17/12/2008 01:59

MG (171208-01:59) – A primeira pergunta é uma questão de foro íntimo. A necessidade ou não em se ter um computador de última geração ou um 286 (extinto talvez em 1987?) que servem aos mesmos propósitos é uma questão pessoal. Como a Evolução “adiantou-se tanto à própria Evolução”? Esta é uma questão interessante, mas não a entendi muito bem. O assassinato de outra pessoa é um ato moralmente inaceitável em qualquer cultura, pelo menos no melhor de meu conhecimento.

Já a pergunta seguinte de Mario Giacomelli é mais interessante: “Qual é a função desse padrão inato de moralidade, diametralmente oposta à necessidade da perpetuação do mais apto por meio da Seleção Natural?” Padrão inato de moralidade? Que história é essa? Aonde? Hum, justificar assassinatos para a perpetuação do mais apto é, no mínimo, bastante contestável. Mesmo assim, tal argumento foi utilizado por colonizadores até o início do século XX para o extermínio de povos indígenas na África e nas Américas. Também foi utilizado pelos nazistas durante a 2ª Guerra Mundial para justificar assassinatos em massa de judeus e ciganos. Todavia, vários estudos indicam que a seleção natural pode ocorrer não somente em nível de indivíduos, mas também em nível de grupos. Este é um assunto de muita discussão (ver: J. M. Smith e E. Szathmáry, The Origins of Life, Oxford University Press, 1999, capítulos 11 (Animal Societies) e 12 (From animal societies to human societies); T. Shanahan, The Evolution of Darwinism, Cambridge University Press, 2004, capítulos 2 (The group selection controversy) e 3 (For whose good does natural selection work?); H. Cronin, A formiga e o pavão, Papirus editora, 1995, parte III “A formiga”).

Todavia, a última pergunta de Mario Giacomelli é crítica: “E se for o caso de um criador que tem valores morais ter implantado a faculdade de consciência, ou senso ético, nos humanos?” Então este criador é, realmente, muito ruim. Ou muito sacana. Pois “a faculdade de consciência, ou senso ético” dos humanos beira a barbárie. Para terminar, eu coloco a pergunta: considerando-se a possibilidade de um criador ter feito o homem à sua imagem e semelhança, como se consideraria a natureza deste criador?

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Neste nível de argumentação a que estou chegando, vou procurar discorrer acerca de linhas de raciocínio sem evocar cientistas (respeitados e aceitos na comunidade acadêmica). Mas o que torna meu pensamento inferior ao de cientistas de renome? Seria eu obtuso, a ponto de depender da faculdade de raciocínio alheios, por não ter me registrado aqui no Brasil no sistema “Lattes-Ciello” de cadastro/validação acadêmica? Creio eu não ter estudado 17 anos em Torino, Itália, para tornar-me um mero “papagaio de pirata”, sem nenhuma iniciativa para o livre exercício do raciocínio intelectual, sempre necessitando de apoio de colegas acadêmicos, posto que não sou um recém-formado com 25 anos de idade, e, apesar de não ter publicado nenhum livro bombástico da linha de “God – A Delusion”, sem falsa modéstia, não me sinto nem um pouco inferior a Dawkins (i.e., ao mesmo título que possuímos). Mas, se meu poder de raciocínio é inútil, sou o mais miserável dentre todos os biólogos da face da Terra… 17/12/2008 02:20

MG (171208-02:20) – Concordo com Mario. Obviamente que Mario Giacomelli não é obrigado a ter um “currículo Lattes” (sistema de cadastro de currículos, em geral de pesquisadores acadêmicos, mas não exclusivamente, criado pelo CNPq). Não é isso o que define a importância de argumentos pró ou contra a teoria da evolução, e sim como estes são fundamentados. Não é o fato de ser um cientista de renome que faz o pensamento deste ser mais perspicaz do que o de um pescador experiente, por exemplo. Um pescador experiente conhece o mar e as condições de tempo excepcionalmente bem. Sabe, com alto grau de confiança, onde, quando e como pescar o peixe que ele quer. Todavia, em se apresentando argumentos contra ou a favor da teoria da evolução, é bom que estes estejam bem fundamentados. Não basta acharmos que nossas idéias são tão boas quanto às de “pesquisadores de renome”, como Richard Dawkins, para concluirmos que encontramos uma nova explicação para a diversidade da vida do planeta Terra.

Mesmo Dawkins, cientista de renome que é, vale-se de referências bibliográficas abundantes para sustentar seus argumentos. Concordemos ou não, Dawkins é um erudito que pesquisou, leu e estudou muito os assuntos sobre os quais escreve. Pesquisei no web of science a contribuição científica de Dawkins. Surpreendentemente, Dawkins possui apenas 21 publicações em revistas indexadas no web of science. Todavia, estas publicações lhe renderam 1543 citações até a data de hoje (02/01/2009), ou seja, cerca de 73 citações por artigo, e um índice h de 14. Embora eu não seja nem um pouco fã destes índices, são índices utilizados correntemente para se medir a relevância da contribuição científica de um determinado pesquisador. Michael Behe, professor da Lehigh University, autor d’A Caixa Preta de Darwin e defensor fundamentalista do design inteligente, têm mais artigos do que Dawkins (32), e mais citações (1617), e um maior índice h (de 15). Se Behe tivesse se dedicado à sua carreira de bioquímico, certamente seria um cientista brilhante e notório. Um de seus primeiros artigos, provavelmente oriundo de seu doutorado, foi publicado na revista extremamente prestigiosa Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of America (volume 78, páginas 1619-1623). Somente este artigo já foi citado 841 vezes. São muitas citações. Todavia, Behe decidiu se dedicar a esta estranha teoria chamada de “design inteligente” e, consequentemente, sua última contribuição científica data de 10 anos atrás (1998). É uma pena que a ciência tenha perdido um bioquímico com potencial tão grande.

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Embora se assevere que a vida surgiu de forma espontânea nos oceanos, as massas aquosas simplesmente não favorecem as combinações químicas necessárias. Explica o químico Richard Dickerson: “Por conseguinte, é difícil de ver como a polimerização [a reunião de moléculas menores para formar outras maiores] poderia ter ocorrido no ambiente aquoso do oceano primevo, uma vez que a presença da água favorece a despolimerização [desintegração das moléculas maiores em moléculas mais simples], em vez de a polimerização.”(Scientific American Magazine,”A Evolução Química e a Origem da Vida”, de Richard E. Dickerson, september, 1978, p. 75) O bioquímico George Wald concorda com este conceito, declarando: “A desagregação é muito mais provável, atuando, por isso, muito mais rapidamente que a síntese espontânea.” Isto significa que não haveria acúmulo de caldo orgânico! (continuação…) 17/12/2008 17:40

e

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…(cont…) Wald crê ser este “o mais sério problema que nos defronta (i.e., aos evolucionistas)”. (Física e Química da Vida, série “Scientific American”, George Wald, trad.E. Navajas, Editora IBRASA, pp. 16,17) Quão provável é que os aminoácidos – que se julga se formaram na atmosfera – baixassem e formassem um “caldo orgânico” (coacervado) nos oceanos? Não há probabilidade alguma. A mesma energia que dividiria os compostos simples na atmosfera, decomporia, com ainda maior rapidez, quaisquer aminoácidos complexos que se formassem. É interessante que Miller, em sua experiência de fazer passar uma faísca elétrica por uma “atmosfera”, só poupou os quatro aminoácidos obtidos porque os removeu da área da faísca. Caso os tivesse deixado ali, a faísca os teria decomposto. Entretanto, caso se presuma que os aminoácidos atingiram de algum modo os oceanos e foram protegidos da destrutiva radiação ultravioleta na atmosfera, que se daria? (continuação…) 17/12/2008 17:44

bem como

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…(cont…) O evolucionista Francis Hitching, autor do livro “The Neck of the Giraffe”, explicou: “Abaixo da superfície da água não haveria suficiente energia para provocar outras reações químicas; a água, em qualquer caso, inibe o crescimento de moléculas mais complexas.” Assim, uma vez na água, os aminoácidos precisam sair dela, se hão de formar moléculas maiores e evoluir no sentido de se tornarem proteínas úteis para a formação da vida. Mas, uma vez saiam da água, expõem-se de novo à destrutiva luz ultravioleta! “Em outras palavras”, afirma Hitching, “são proibitivas as chances teóricas de passarem até mesmo por este primeiro e relativamente fácil estágio [da obtenção de aminoácidos] na evolução da vida”. (continuação…) 17/12/2008 17:53

As respostas a estas postagens de Mario Giacomelli foram apresentadas anteriormente [MG (071208-08:54 bem como 171208-17:40, 17:44, 17:53, adiante)].

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…(cont…) O relativo sucesso de obterem-se aminoácidos em pesquisas induzidas, tal qual a experiência de Miller em 1953, contrapõe-se aos rotundos fracassos dos pesquisadores em se obterem moléculas mais complexas e proteínas em laboratório, até o presente ano de 2008. Não necessito (eu, pessoalmente) de referências, os autores são meros mortais colegas com o mesmo título que possuo, mas a quem interessar, fontes acima alistadas. Abraços mais do que referenciados e redundantes (vide páginas anteriores as quais citei sobre o mesmo assunto), M. M. Giacomelli. —— Post Scriptum: Para dirimir quaisquer dúvidas, em nossa própria cidade (São Carlos) e Araraquara (próximo) existem, e embora não lide pessoalmente com elas (meus contatos acadêmicos continuam na cidade onde me formei e passo a maior parte do ano na Itália), excelentes Universidades Públicas na região que ministram o curso de Graduação em Química ou Bioquímica. 17/12/2008 18:03

MG (171208-18:03) – A assertiva “O relativo sucesso de obterem-se aminoácidos em pesquisas induzidas, tal qual a experiência de Miller em 1953, contrapõe-se aos rotundos fracassos dos pesquisadores em se obterem moléculas mais complexas e proteínas em laboratório, até o presente ano de 2008.” é peremptoriamente falsa. Veja-se as inúmeras referências citadas em minhas postagens anteriores, e ainda: Albert Eschenmoser e Eli Loewenthal, Chemistry of Potentially Prebiological Natural Products, Chemical Society Reviews, volume 21, páginas 1-16, 1992 e Daniele Dondi, Daniele Merli, Luca Pretali, Maurizio Fagnoni, Angelo Albini and Nick Serpone, Prebiotic chemistry: chemical evolution of organics on the primitive Earth under simulated prebiotic conditions, Photochemistry and Photobiology Sciences, volume 6, páginas 1210 – 1217, 2007. Que Mario Giacomelli não necessite de referências para sustentar seus argumentos é uma questão de escolha pessoal. Porém perigosa. Utilizar-se de referências a trabalhos de outrem para elaborar e sustentar argumentos não é mal visto, ou considerado como intelectualmente pobre. O interessante é o que se realiza com o conhecimento que se adquire a partir do conhecimento gerado por outros pesquisadores. Muitos erros e redundâncias podem ser evitados. Pode-se evitar o uso de metodologias de análise inadequadas. Enfim, o conhecimento está disponível para quem o quer utilizar.

Finalizando, fica aqui o convite a Mario Giacomelli para que, quando venha ao Brasil, e eventualmente a São Carlos (que incluiu como sendo seu endereço nas suas postagens) possamos realizar um debate destas idéias no Instituto de Química de São Carlos, da USP.

Saudações a todos,

Roberto Gomes de Souza Berlinck